quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Entreato

Eu, seguidor de ti.
Tu, seguidor de mim.
Um passo em falso
E o holofote nos ilumina.

Num resquício de espaço,
Um céu de brilho intenso e raro.
No nosso mesmo e caro
Pudor, em paixão eu te laço.

Segue-me à linha, aproxima-se.
Toco-te, puxo-te e te beijo.
Num entreato ardente não cesse
Nenhuma vontade nem algum lampejo.

Eu, seguidor de mim,
Encontro-me em ti.
Tu, seguidor de ti,
Completa-te em mim.

Num entreato de espaço aberto,
Tu, seguidor de mim, alçou-me.
Num jogo de mergulhos, num aprume,
Vejo-me em teu calor, sempre, ao certo.

Sou seguidor de ti.
És seguidor de mim.
Não há entreato em que não se observe,
Que somos ato de um teatro eterno.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Um carro

O sonho de todo menino é ter um carro.
"Quero dirigir!", diz ao pai.
"És pequeno!", ele responde, não raro,
"Quando maior, pedirás um 'não apelai!'".

Carro de duas ou quatro portas.
Um ar condicionado, amplificadores.
Não há no mundo um desejo de mortas
E más jornadas que substitua os motores.

Num sonho breu, o menino viu uma imagem:
O carro, arrojado tal qual sua vontade, iluminado:
Havia algo mais do que um mero vestígio corado.
Era um ser de alva face, de corpo em vertigem.

O carro, então, passou a ser apenas um carro:
Desde que o menino conheceu a imagem do carinho,
Nenhum objeto se tornou tão claro quanto o amarro
De dois corações: o meu e o teu, unidos num ninho.

domingo, 14 de agosto de 2011

Como é grande a minha dor sem você (Aula de Literatura)

Num dos trabalhos exigidos aos alunos, uma apresentação criativa sobre a obra A menina com a lagartixa, de Bernhard Schlink, foi exigida. Dentre as produções, uma em especial chama a atenção para este blog: um poema, feito pelos alunos Lucas Mendonça, Victor, Roberto e Gabriel. Adaptando a música de Roberto Carlos, Como é grande meu amor por você, realizaram essa produção, totalmente vinculada ao significado da obra. Parabéns aos guris!
***
Depois de tanto tempo
sem te ver
com tristeza
te ver morrer
Como é grande
a minha dor
sem você
Muitos livros você
deixou, aquele quadro você
guardou
Como é grande
a minha dor
sem você
Depois disso
voltei para casa
para ver a minha namorada
Mas tudo que eu pensava
era aquele quadro que ela observava
Ela se achava parecida
com a menina, daquele quadro
que nos olhava
Como é grande
a minha dor
sem você
Ela teve há audácia
de terminar, porque com
o quadro eu quis ficar
Como é grande
a minha dor
sem você

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Caminhando nas nuvens

Céu de brumas límpidas e serenas,
Um espaço amplo de celestialidade e candura:
Assim é tua casa, teu espaço entre açucenas,
Assim é meu coração, num céu cheio de ternura.

Sai de casa e caminha entre nuvens de felicidade.
Vejo-te longe, ao céu, mas com vontade indescritível:
És um anjo de amor em meio a um espaço de verdade.
Sou um ente que lida com a paixão de forma legível.

Desces à terra e vês o quanto teu caminho é carinhoso:
Encantas um caminho rico de beleza e engenhoso.
Há, no entanto, um eco por ti a ser ressoado e calado:

Que, num caminho de nuvens, opera um peito alado,
Que por te ver, clama pelo teu abraço quente;
Que por te ter, não vê mais o mundo cão, sequer doente.

domingo, 7 de agosto de 2011

Desconstrução bonita

Encontrei um caminho de rosas debaixo do meu travesseiro.
Era um caminho límpido, aconchegante e bastante quente.
No meio do caminho, ouvia-se a quebra das ondas.
Na quase chegada, um som me fazia vibrar:
Encontrei-te no meio do caminho.
E agora só quero amar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O animal

O impulso do animal era severo.
Criava situações, pendia espaços,
Bajulava a presa, atormentava quem visse,
Perpetrava medos.

Animalizar os espaços era sua vontade.
Despejar sua raiva e seus medos o faziam melhor.
Transgredir, burlar, descamar e arrancar:
Tudo o que o deixava imponente frente ao espelho.

O animal, em si, é o homem:
Quando amedrontado pelo seu eu,
Busca na dor alheia o que lhe faz bem,
Para que busque uma melhoria frente ao nada.

domingo, 31 de julho de 2011

Fusão

Saio à noite.
Um raio de luz me surpreende.
Busco saber o que há,
Mas não há palavra que diga.

Saí à noite.
Surpreendi-me contigo.
Busco te ver logo mais,
Mas só há desejo para lá.

Sai à noite.
És raio que me faz surpreender.
Buscas te encontrar junto a mim,
Mas ainda obstáculo há de ter.

Saímos à noite.
Somos fusão de luz e desejo,
Buscamos espaço em meio ao ensejo
De uma busca incomum e de deleite.

Somos a noite.
Somos o dia.
Somos a fusão da energia,
Que há de nos trazer regalia.

Sou a tua noite.
Tu és o meu dia.
Quem pense que somos em parte,
Não sabe que somos alegria.

És minha noite.
Sou o teu dia.
Que do alento exala e foi-te,
Como num gesto de sabedoria.

Sou a luz,
És a escuridão.
Sois ponto de interrogação
Em todas as falas de tua cruz.

Sou a escuridão,
És minha luz.
Sou a bicada de uma avestruz
No centro de um mundo zangão.

Fusão é o que somos.
Benditos sejamos em longos sonos.
Hei de te ter em ambiente ardente,
Para que de paixão eu morra incandescente.

Encontro

Quando teus passos não mais forem seguidos,
Escutarei o grito do alívio.

Quando minha mente não mais for preenchida,
Escutarei o som das ondas.

Quando meu ser não mais souber o que fazer,
Escutarei as lágrimas descerem.

Quando a calma preponderar no teu caminho,
Escutarei o ruído da felicidade.

Quando um dia houver motivos para mentiras,
Escutarei o anjo dizer que não.

Quando relembrar cada espaço do teu corpo,
Escutarei tua voz pedir mais.

Quando ficar cara a cara contigo novamente,
Escutarei que me queres mais.

Quando eu lembrar que todos meus sonhos foram em vão,
Escutarei tua palavra de perdão.

Quando realizar cada ponto de meus objetivos,
Escutarei tua voz no meu pé de ouvido.

Quando eu quiser um novo sonho ao teu lado,
Escutarei que anseias o mesmo.

Quando tu buscares em mim tua realização,
Encontrar-me-ei, enfim, todo em ti.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Quando éramos tolos...

Quando éramos tolos, presos a um pensamento mágico,
Eu sonhava contigo, em carne plena e noite serena.
Ao acordar, via-te próxima, cálida e distinta,
Mas não ouvia uma só voz de amor ou ternura.

Dizia-te: "Vem! Aproveita esse momento junto a mim!"
E o que eu via era indiferença e rancor,
Pesadelo, tormenta, distanciamento e horror,
Pois as palavras soavam como se ditas a um fim.

Quando éramos tolos, meu amor, eu te sentia aqui:
Estufando um peito cardíaco, sem qualquer sinal de dor.
Sabia que em teu coração tripudiava paixão incolor,
Que nos teus - e nos meus - sonhos fomos um croqui.

Agora que o passado se foi e meus sonhos ficaram,
Sei que num momento de ternura relembrarei de ti:
Um passo mal dado, um coração desalmado ali,
Um espaço de amor e um calor enquadrado restaram.

Quando éramos tolos, eu sabia que podia ir além.
Hoje, que deixei essa característica de lado, não mais.
Simples poema que expressou o que senti ontem,
Bendito poema que mostra que sou além de "ais"!

Por uma camisa

Vestir o manto rubro
Era o sonho do menino.
Deliciar-se com o mínimo:
"É com isso que me cubro!"

Sentir o efeito do prazer
Propiciado pelo momento púnico:
Desejo inabalável de ser,
Vontade criada, permanece único.

Ao ser derrotado, se acalma.
Ao ver-se vencedor, vibra.
E quando não há mais alma
Vê-se só, mas de todo se equilibra.

Vestir o manto rubro
Era o sonho do menino.
Deliciar-se com o mínimo:
"É com isso que me cubro!"

Nas horas em que se via feliz,
Não ousou perder, nem por triz,
Queria a vitória, sempre criada
Aos traços de uma embalada virada.

Quantos não tem o mesmo sonho?
Quantos não querem vibrar com o punho?
Sabe-se que no rubro coração
Palpita algo maior que qualquer ação.

Vestir o manto rubro
Era o sonho do menino.
Deliciar-se com o mínimo:
"É com isso que me cubro!"

terça-feira, 26 de julho de 2011

Árvore da Vida

Uma vida em meio aos escombros
És árvore, sensível,
Raio de luz que invade aos poucos,
Abrindo fronteiras para o invisível.
Uma cena singular.

Num feixe, luzes e troncos se envolvem;
Num canto, uma pequena garota explora sons e sinais
De um tempo que recém se iniciara, junto à aurora.
Pasmem aqueles que pensam
Que de nada vale a imagem para a menina:
A luz que cruza a árvore elabora um céu particular,
Uma imagem nítida da cena infantil:
Sois terra, calor e força;
És árvore, mas a minha imagem da vida.

Imagem que se distrai
Entre os assombros da noite,
Amor, que fica e vai
Ascendendo, atracando ao porto.
Aquela arte de antes,
Aurora da vida,
Ficará sempre em meu peito
Palpitando, rente às feridas.

Co-criado por Natália Galvão e Lucas de Melo Bonez

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Novo haikai

Tempo vívido, árvores balançadas pelo vento,
Um som de leveza e uma brisa refrescante:
É assim meu coração, alvo, calmo e sereno.

domingo, 24 de julho de 2011

Intervalo

Certo demais, caminhava pela praia,
Sentindo o vento resfriar-lhe a face.
Um caminho de areia em silêncio.
Um espaço de luz em solidão.

Parado à beira, observando o mar,
Pensando no que seria sua vida agora:
Conclusões nulas em um momento único,
Pensamentos em forma de bolhas.

De que serve meu canto se tu não ouves?
Pra que falo ao vento se não chegam a ti
As melhores palavras que alguém exporia?

Não me serve de alguma forma esse momento.
Parar não é o fim, mas o intervalo, cruel e agoniante
De uma espera que não parece acabar.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Um espelho para Narciso

Vês, Narciso, que imagem pura e clara
Resplandece da cristalina água?
Sentes o furor da paixão que ficara
Preso à fluidez que o tempo enxágua?

Há tempos não enxergas mais que a própria imagem.
Não sabes o quão belo é o que há por dentro do corpo.
Insanas ideias paradisíacas consigo, culto e vertigem
Num mundo cruel de espaço, de curvas, mal torpo.

O que há dentro de nós, Narciso, senão os sentidos?
Que mais há que aquilo não visível aos teus olhos?
Talvez num curto espaço descubras, benditos

Que a natureza humana é corpo e se resume a pó.
Que um dia terás no corpo o objeto falível, fraco,
E que te restará apenas aquilo que lhe é opaco.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Trilogia do três

I

Um ano agora feito.
Um beijo agora estreito.
Um passo com certeza eleito.
Um ramo de flores,
Mil palavras ao vento.

Conheci-a num gesto passado.
Qual lívido refresco trazido pela brisa,
Foste una e várias, cabeça e tronco,
Para salvaguardar em teu coração um meu pedaço bronco.

II
Jazias pensamentos, efetuavas mistérios:
"Quem seria a alma portadora da chave
Que abriria as portas do inédito?"
Pulsou meu coração em batidas celérios.

Sempre foste uma amazona aguerrida:
Alma, braços, palavras e carinho.
Tiveste de mim aquilo que eu mais portei:
Pensamento, falas e um tanto de ninho.

III
Estive perdido em pouco tempo:
Chegaste e encontraste o espaço perdido.
Se eu fosse a passagem ao rito intento,
Serias um corpo em que eu estaria adormecido.

Como a alma o tempo quis
E, enfim, ao léu nos fez deixar,
Aquele passo dado num dia feliz
Virou a carga irônica de uma risada a explorar.

***

Viste a alma e o céu em que me transformei?
Sentiste o silêncio apalpando tua mente?
Reviste em passos e pesadelos um passado ardente?
Recriaste o corpo que um dia configurei?

De nada se faz uma trilogia
Além de alma, espelho e som.
Em todos eles há o espaço da alquimia
Para assim chegar ao teu coração.

Perguntas

Eu te pergunto:
"Tu vens?"
"Não hesito",
é tua resposta.

Em meio a um milhão de flores,
Vejo teus olhos brilharem em gozo profundo:
Estás a um passo de encontrar teu caminho,
Um passo dado em meio ao nada e ao mundo.

Eu te pergunto:
"Tu queres?"
"Anseio",
é tua resposta.

Como num conto de fadas,
Caminhas como uma Alice sem asas
Em busca de tua contemplação,
Ou de um mágico alicerce para casas.

Eu te pergunto:
"O que queres?"
"Não sei",
é tua resposta.

Num altar finito de ideias,
Mas múltiplo em capacidades,
Regozijas receios, atacas contrariedades -
Só vejo a ti em meio às parcas possibilidades.

Eu te pergunto:
"Quem sois que me buscas?"
"Uma alma cálida e serena",
é o que pensas.

As palavras não saem,
revoltam-se contra o proferimento
E lá elas ficam, apagadas ou engasgadas,
Não ditas pelas sombras de todos os receios.

Eu te pergunto:
"Agora, o que faço?"
Silêncio - eis a resposta:
O que pensas e o que falas.

Quem eu seria em meio ao não dito?
Qual abraço seria a contemplação do sentido?
Que busca, que alicerce, que palavra
Há de esgotar a agonia de um bendito?

Não mais pergunto.
Respostas não há.
Há um carinho sincero,
Que clama por um "ah"...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Unidunitê

Uni - Foi o tempo em que eu era.
Duni - Que momento chegou?

Um corpo era Uni.
Com o outro, virou Duni.
Entrelaço Uni.
Resposta Duni.
Dedos em mim - Uni.
Envoltos nos teus - Duni.

Uniduni.
Momento propício,
Festa nos dedos!

Uniduni.
Ente feliz,
Resposta dos céus!

Eu te vejo uni.
Tu a mim, duni.
Eu me esquento duni.
Eu me acordo uni.

Quisera Uniduni.
Um espaço aberto num feixe duni.
Uma vontade tal qual anseio uni.
No entanto, duni.

Quisera Uniduni.
Logo te envolves uni,
Para que lembres sempre duni.
Enfim, uni.


Uniduni.
Momento propício,
Festa nos dedos!

Uniduni.
Ente feliz,
Resposta dos céus!

Corpos distantes - Uni!
Anseio de ti - Duni!
Corpo em essência - Duni!
Que por ti anseia - Uni!

Uniduni.
Seria sempre um fim uni?
Terá dia um pensar duni?

Que seja.

Logo se descobrirá
Que de uniduni,
Sempre haverá um tê.

domingo, 19 de junho de 2011

Em frente

It's time to stand up,
Stand up and walk,
Walk all alone,
Down the same road.
(André Matos, "A lapse in time")

Quantas vezes nos levantamos pensando nas mesmas coisas?
Em quais momentos realmente vemos o que realmente acontece?
Sabemos tudo que realmente se passa?
Que maldita criatura sabe tudo o que realmente vê?

É tempo de olhar pra frente.
É hora de não mais ficar parado.
É certa a necessidade do novo.
É manifesta a vontade de se manter com o outro.

Agora, basta caminhar, homem.
Siga em frente, que seja sozinho.
É hora de encontrar teu futuro.
Há tempo pra retomar seu caminho.

Havia um garoto

"I lost my way...
But found my truth..."
(Aquaria, "Lost")

Esta é uma história de amor?
Não sabemos bem.
De um quente e encantado momento
A um passo da frieza em questão,
Tudo correu rapidamente.

Havia um garoto.
Um belo e estranho garoto.
Seu encanto pelas coisas da vida era fugaz.
Até o aparecimento dela.
Quando a encontrou, seu mundo floriu.
Quando ela partiu, seu mundo murchou.

Pelas ruas, antes naturalmente vivas,
As pegadas sem som se tornaram constantes.
As folhas de uma primavera real
Tornaram-se as secas de um outono castigante.
Ela não sabe disso.
Ela não se importa com isso.

O garoto cuida de suas lamúrias num silêncio inaceitável.
Mas o que ele pode fazer?
Gritar? Expor? Rezar? Calar?
Ele apenas sabe amar.
Não sabe como chegar.
Muito menos como acabar.

Havia um garoto.
Um belo e estranho garoto.
Que de suas lágrimas criava rios.
Que de seus rios fazia oceanos.
Justamente porque não viu o principal pensamento de sua vida:

Que a mais bela de todas as coisas é amar
E ser amado em troca.

Quem é esse garoto?
Por que belo e estranho ele seria?
Num espaço vasto, numa natureza fria?
O que deixa de ser quente e assim se avizinha?

Difícil encontrar respostas.
Sabemos que a expansão do mundo não permite vermos tudo.
Sabemos que os pensamentos não são totalmente expostos...

Mas havia um garoto.
Um belo e estranho garoto.
Que apenas sonhou em um dia ser amado
E receber seu amor em troca.

sábado, 4 de junho de 2011

Anjo-luz

Num espaço vazio, numa caixa de presente,
Na hora da virada, no momento do desastre,
Nessa vida de alegrias, noutra feita de tristezas,
Uma luz é vista ao fundo.

Num momento passado, na hora do presente,
Na vida de viajante, ou na criada por um mestre,
Quando em desejos, ora fugazes ora afáveis,
A luz é cada passo mais próxima.

Numa tríade de amizade, desejo e conquista,
Numa dor convertida em prazer,
Com aqueles sinais de complacência permanente,
A luz toma forma.

De um claro momento, de uma estúpida fala,
De um passado memorável, de um presente conflitante,
Um futuro perfeito que está por vir:
A luz é um anjo.

Um anjo branco, clarividente, incandescente.
Cega-me vê-lo, me consome a vontade
De tê-lo para realizá-lo, dia após dia.
O anjo não cairá em desgraça, pois me salvará.

À luz do dia, um anjo de encantos profundos.
Ao cair da noite, uma luz que perdura além do mundo.
Que anjo é esse que me tenta e que me esquenta?
Que luz é essa que me faz perder o chão?

É a luz do mundo, exclusiva pra mim.
É a alma que me carrega e que me move.
É o sonho que desabrocha a cada aproximação.
É minha vida, minha terra; meu anseio, minha perdição.