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Professor de Língua Portuguesa e Literatura. Mestre em Teoria da Literatura (PUCRS/2008). Especialista em Assessoria Linguística (FAPA/2011), Literatura Brasileira (PUCRS/2005) e Infanto-Juvenil (PUCRS/2006). Graduado em Letras (Unilasalle/2004). Blogueiro, leitor, gamer, aspirante a diretor de ópera, adorador de Heavy Metal, do Internacional.

domingo, 31 de julho de 2011

Fusão

Saio à noite.
Um raio de luz me surpreende.
Busco saber o que há,
Mas não há palavra que diga.

Saí à noite.
Surpreendi-me contigo.
Busco te ver logo mais,
Mas só há desejo para lá.

Sai à noite.
És raio que me faz surpreender.
Buscas te encontrar junto a mim,
Mas ainda obstáculo há de ter.

Saímos à noite.
Somos fusão de luz e desejo,
Buscamos espaço em meio ao ensejo
De uma busca incomum e de deleite.

Somos a noite.
Somos o dia.
Somos a fusão da energia,
Que há de nos trazer regalia.

Sou a tua noite.
Tu és o meu dia.
Quem pense que somos em parte,
Não sabe que somos alegria.

És minha noite.
Sou o teu dia.
Que do alento exala e foi-te,
Como num gesto de sabedoria.

Sou a luz,
És a escuridão.
Sois ponto de interrogação
Em todas as falas de tua cruz.

Sou a escuridão,
És minha luz.
Sou a bicada de uma avestruz
No centro de um mundo zangão.

Fusão é o que somos.
Benditos sejamos em longos sonos.
Hei de te ter em ambiente ardente,
Para que de paixão eu morra incandescente.

Encontro

Quando teus passos não mais forem seguidos,
Escutarei o grito do alívio.

Quando minha mente não mais for preenchida,
Escutarei o som das ondas.

Quando meu ser não mais souber o que fazer,
Escutarei as lágrimas descerem.

Quando a calma preponderar no teu caminho,
Escutarei o ruído da felicidade.

Quando um dia houver motivos para mentiras,
Escutarei o anjo dizer que não.

Quando relembrar cada espaço do teu corpo,
Escutarei tua voz pedir mais.

Quando ficar cara a cara contigo novamente,
Escutarei que me queres mais.

Quando eu lembrar que todos meus sonhos foram em vão,
Escutarei tua palavra de perdão.

Quando realizar cada ponto de meus objetivos,
Escutarei tua voz no meu pé de ouvido.

Quando eu quiser um novo sonho ao teu lado,
Escutarei que anseias o mesmo.

Quando tu buscares em mim tua realização,
Encontrar-me-ei, enfim, todo em ti.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Quando éramos tolos...

Quando éramos tolos, presos a um pensamento mágico,
Eu sonhava contigo, em carne plena e noite serena.
Ao acordar, via-te próxima, cálida e distinta,
Mas não ouvia uma só voz de amor ou ternura.

Dizia-te: "Vem! Aproveita esse momento junto a mim!"
E o que eu via era indiferença e rancor,
Pesadelo, tormenta, distanciamento e horror,
Pois as palavras soavam como se ditas a um fim.

Quando éramos tolos, meu amor, eu te sentia aqui:
Estufando um peito cardíaco, sem qualquer sinal de dor.
Sabia que em teu coração tripudiava paixão incolor,
Que nos teus - e nos meus - sonhos fomos um croqui.

Agora que o passado se foi e meus sonhos ficaram,
Sei que num momento de ternura relembrarei de ti:
Um passo mal dado, um coração desalmado ali,
Um espaço de amor e um calor enquadrado restaram.

Quando éramos tolos, eu sabia que podia ir além.
Hoje, que deixei essa característica de lado, não mais.
Simples poema que expressou o que senti ontem,
Bendito poema que mostra que sou além de "ais"!

Por uma camisa

Vestir o manto rubro
Era o sonho do menino.
Deliciar-se com o mínimo:
"É com isso que me cubro!"

Sentir o efeito do prazer
Propiciado pelo momento púnico:
Desejo inabalável de ser,
Vontade criada, permanece único.

Ao ser derrotado, se acalma.
Ao ver-se vencedor, vibra.
E quando não há mais alma
Vê-se só, mas de todo se equilibra.

Vestir o manto rubro
Era o sonho do menino.
Deliciar-se com o mínimo:
"É com isso que me cubro!"

Nas horas em que se via feliz,
Não ousou perder, nem por triz,
Queria a vitória, sempre criada
Aos traços de uma embalada virada.

Quantos não tem o mesmo sonho?
Quantos não querem vibrar com o punho?
Sabe-se que no rubro coração
Palpita algo maior que qualquer ação.

Vestir o manto rubro
Era o sonho do menino.
Deliciar-se com o mínimo:
"É com isso que me cubro!"

terça-feira, 26 de julho de 2011

Árvore da Vida

Uma vida em meio aos escombros
És árvore, sensível,
Raio de luz que invade aos poucos,
Abrindo fronteiras para o invisível.
Uma cena singular.

Num feixe, luzes e troncos se envolvem;
Num canto, uma pequena garota explora sons e sinais
De um tempo que recém se iniciara, junto à aurora.
Pasmem aqueles que pensam
Que de nada vale a imagem para a menina:
A luz que cruza a árvore elabora um céu particular,
Uma imagem nítida da cena infantil:
Sois terra, calor e força;
És árvore, mas a minha imagem da vida.

Imagem que se distrai
Entre os assombros da noite,
Amor, que fica e vai
Ascendendo, atracando ao porto.
Aquela arte de antes,
Aurora da vida,
Ficará sempre em meu peito
Palpitando, rente às feridas.

Co-criado por Natália Galvão e Lucas de Melo Bonez

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Novo haikai

Tempo vívido, árvores balançadas pelo vento,
Um som de leveza e uma brisa refrescante:
É assim meu coração, alvo, calmo e sereno.

domingo, 24 de julho de 2011

Intervalo

Certo demais, caminhava pela praia,
Sentindo o vento resfriar-lhe a face.
Um caminho de areia em silêncio.
Um espaço de luz em solidão.

Parado à beira, observando o mar,
Pensando no que seria sua vida agora:
Conclusões nulas em um momento único,
Pensamentos em forma de bolhas.

De que serve meu canto se tu não ouves?
Pra que falo ao vento se não chegam a ti
As melhores palavras que alguém exporia?

Não me serve de alguma forma esse momento.
Parar não é o fim, mas o intervalo, cruel e agoniante
De uma espera que não parece acabar.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Um espelho para Narciso

Vês, Narciso, que imagem pura e clara
Resplandece da cristalina água?
Sentes o furor da paixão que ficara
Preso à fluidez que o tempo enxágua?

Há tempos não enxergas mais que a própria imagem.
Não sabes o quão belo é o que há por dentro do corpo.
Insanas ideias paradisíacas consigo, culto e vertigem
Num mundo cruel de espaço, de curvas, mal torpo.

O que há dentro de nós, Narciso, senão os sentidos?
Que mais há que aquilo não visível aos teus olhos?
Talvez num curto espaço descubras, benditos

Que a natureza humana é corpo e se resume a pó.
Que um dia terás no corpo o objeto falível, fraco,
E que te restará apenas aquilo que lhe é opaco.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Trilogia do três

I

Um ano agora feito.
Um beijo agora estreito.
Um passo com certeza eleito.
Um ramo de flores,
Mil palavras ao vento.

Conheci-a num gesto passado.
Qual lívido refresco trazido pela brisa,
Foste una e várias, cabeça e tronco,
Para salvaguardar em teu coração um meu pedaço bronco.

II
Jazias pensamentos, efetuavas mistérios:
"Quem seria a alma portadora da chave
Que abriria as portas do inédito?"
Pulsou meu coração em batidas celérios.

Sempre foste uma amazona aguerrida:
Alma, braços, palavras e carinho.
Tiveste de mim aquilo que eu mais portei:
Pensamento, falas e um tanto de ninho.

III
Estive perdido em pouco tempo:
Chegaste e encontraste o espaço perdido.
Se eu fosse a passagem ao rito intento,
Serias um corpo em que eu estaria adormecido.

Como a alma o tempo quis
E, enfim, ao léu nos fez deixar,
Aquele passo dado num dia feliz
Virou a carga irônica de uma risada a explorar.

***

Viste a alma e o céu em que me transformei?
Sentiste o silêncio apalpando tua mente?
Reviste em passos e pesadelos um passado ardente?
Recriaste o corpo que um dia configurei?

De nada se faz uma trilogia
Além de alma, espelho e som.
Em todos eles há o espaço da alquimia
Para assim chegar ao teu coração.

Perguntas

Eu te pergunto:
"Tu vens?"
"Não hesito",
é tua resposta.

Em meio a um milhão de flores,
Vejo teus olhos brilharem em gozo profundo:
Estás a um passo de encontrar teu caminho,
Um passo dado em meio ao nada e ao mundo.

Eu te pergunto:
"Tu queres?"
"Anseio",
é tua resposta.

Como num conto de fadas,
Caminhas como uma Alice sem asas
Em busca de tua contemplação,
Ou de um mágico alicerce para casas.

Eu te pergunto:
"O que queres?"
"Não sei",
é tua resposta.

Num altar finito de ideias,
Mas múltiplo em capacidades,
Regozijas receios, atacas contrariedades -
Só vejo a ti em meio às parcas possibilidades.

Eu te pergunto:
"Quem sois que me buscas?"
"Uma alma cálida e serena",
é o que pensas.

As palavras não saem,
revoltam-se contra o proferimento
E lá elas ficam, apagadas ou engasgadas,
Não ditas pelas sombras de todos os receios.

Eu te pergunto:
"Agora, o que faço?"
Silêncio - eis a resposta:
O que pensas e o que falas.

Quem eu seria em meio ao não dito?
Qual abraço seria a contemplação do sentido?
Que busca, que alicerce, que palavra
Há de esgotar a agonia de um bendito?

Não mais pergunto.
Respostas não há.
Há um carinho sincero,
Que clama por um "ah"...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Unidunitê

Uni - Foi o tempo em que eu era.
Duni - Que momento chegou?

Um corpo era Uni.
Com o outro, virou Duni.
Entrelaço Uni.
Resposta Duni.
Dedos em mim - Uni.
Envoltos nos teus - Duni.

Uniduni.
Momento propício,
Festa nos dedos!

Uniduni.
Ente feliz,
Resposta dos céus!

Eu te vejo uni.
Tu a mim, duni.
Eu me esquento duni.
Eu me acordo uni.

Quisera Uniduni.
Um espaço aberto num feixe duni.
Uma vontade tal qual anseio uni.
No entanto, duni.

Quisera Uniduni.
Logo te envolves uni,
Para que lembres sempre duni.
Enfim, uni.


Uniduni.
Momento propício,
Festa nos dedos!

Uniduni.
Ente feliz,
Resposta dos céus!

Corpos distantes - Uni!
Anseio de ti - Duni!
Corpo em essência - Duni!
Que por ti anseia - Uni!

Uniduni.
Seria sempre um fim uni?
Terá dia um pensar duni?

Que seja.

Logo se descobrirá
Que de uniduni,
Sempre haverá um tê.