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Professor de Língua Portuguesa e Literatura. Mestre em Teoria da Literatura (PUCRS/2008). Especialista em Assessoria Linguística (FAPA/2011), Literatura Brasileira (PUCRS/2005) e Infanto-Juvenil (PUCRS/2006). Graduado em Letras (Unilasalle/2004). Blogueiro, leitor, gamer, aspirante a diretor de ópera, adorador de Heavy Metal, do Internacional.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Abaixo da Tempestade

Na bela noite do inverno de minha vida,
Perguntei-me se era a hora certa para fugir.
Será que ainda me verias caindo pelas montanhas?
Ou me encontrarias vagando em meio ao céu?

Em meio às sombras da minha mente,
Não encontrei resposta para qualquer dúvida.
No entanto, teu olhar me guiava para além do mundo,
Num horizonte sem fim em meio às colinas...

Corria para ti a fim de que me visses,
Queria só um meio para chegar ao vil coração.
Gritei ao mundo - ouviram a minha dor extravasar além!
Não recebi um toque de carinho no percurso...

Até que num momento, tardio do amor,
Ouvi teu toque te despedindo - "Não me importa."
E assim o mundo se quebrou, a magia se perdeu triste.
Assim parei de me importar e fui para sempre...

Com teu olhar se foi toda minha luz,
E minha escuridão se fez repleta de silêncios.
E eu desapareci, no meio das névoas, além das dores.
Entregue fui - esquecido abaixo da tempestade.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Poemas do Facebook - XIII

Depois de mais de duas semanas...

***

Por que quando ficamos assim,
Fazer algo - só não estou afim?
Fica a constante dor na mente,
No meu mundo tão delinquente...

***

Há um castelo que sempre nos encantou.
Ele se mostra como local de nossa dança,
Aquela que, unidos, faz vida - ela avança,
Trazendo-nos o sentir que sempre ficou.

Somos, no entanto, Fera e Bela do amor!
Se agora nos tratamos com certo pudor,
Um dia houvera as risadas de felicidade -
A tua mão na minha pata - reciprocidade.

Leia-me: sabes que sou fera - ser odioso
Que amaste com a força de teu abraço,
Que beijaste com o desejo só delicioso...

Meu pavio fora tocado de novo - cansaço
De ver minha Bela partir pelo horizonte -
Como perder toda a água de minha fonte.


***

Produção ativa por minutos:
O que faz nosso belo mundo
Um poema de versos astutos
Sem teu olhar mais profundo?

***

Gasto minhas palavras em cânticos serenos
- Quero-te comigo, no entanto, acalmando
Olhar, gesto, beijo, coração, céu - amando.
Há, porém, aquilo que devemos pôr menos.

Dia especial este que se faz - Papa novato,
Mundo centrado, atenções ao tal abstrato.
Minha casa se faz distante, pensando em ti,
Em duros momentos que eu apenas assenti.

Agora, perdido novamente em vãs palavras,
Não consigo mais negar o tom que tu lavras
Nesta separação dura - requinte de doloridas
Rosas que o tempo levou - reles carcomidas.


***

Realmente eu deveria procurar
O que me faz mancebo de amor:
És um crucifixo de todo penhor,
- Minha sina de poder respirar.

Que maldita vontade é que me faz
No meio da noite ser apenas teu?
Não é um sentimento que logo jaz,
Nem um triste sentimento de Orfeu.

Se acabara o amor, ele perdura?
Que confusão é essa tal candura
Apoiada no meu já doído coração?

Acho, amor, que precisamos ver
Que não é só o amor viver de ação,
Mas nas palavras o que escrever.


***

Quando a gente briga,
Sempre a melhor opção:
Te distanciares da liga
Que emenda teu coração.

***

Quem é você que faz teu querer?
Já sentes a distância que se faz?
Não é mais meu sono sem poder
- Apenas meu corpo desejando paz.

***

No naufrágio de teus pensamentos inóspitos,
Esqueceste aqui teu lenço de rubor curioso:
Que fragrância crua do espaço antes ocioso
- Agora é minha nau: vive em longos compitos.

Desisto de teu braço carinhoso segurando mãos,
Que antes eram curioso mundo de tolerâncias:
Agora, vivo bem perdido em meio a essas ânsias
- Estorvo de pensamentos crus, tal qual irmãos.

Não sei se me pego pensando em longas distâncias
Ou se aprimoro meu gosto por todas as instâncias:
Segredo nosso que não chegará ao retalho final.

Vem, minha querida! É hora de sairmos - divinal
Sorriso que te brotarás na face acalorada e rosa
- Um novo mundo que se abre em minha glosa.


***

Estás fugindo de mim, amor?
Sinto nas palavras um cheiro
Que antes exalava teu calor,
Mas que agora parece ligeiro...


***

Se Deus hoje me dissesse desesperado
Que meu maior pecado foi teu beijo,
Morreria feliz por tudo que há findado
Na distante cúria que me tem o desejo.


***

Estupidez
Na palidez?
Talvez.

Timidez
Na nudez?
Sordidez.

Mesquinhez
No xadrez?
Polidez.

Mas polidez
Na sordidez?
Talvez.


***

Naquela velha e antiga canção
Tu não ouves aquela voz lida?
Já não sei se estás tão contida
- Mas ainda bate forte o coração.


***

Não vejo mais sangue em tuas mãos.
Para onde foste, meu claro assassino?
Escapaste por ruas e por certos vãos
Que te fez desaparecer do meu ensino.

Sinto de minha pele brotar o tal calor
Que sentem apenas aqueles que logo
Saberão que não houvera, com amor,
Teu ato para fugir do nosso desafogo.

Agora jaz aqui um corpo que não vê
- Que não sente, não sofre, não lê -
Resquício de sonhos ao vento sofre:

Partiu meu bem querer - velho cofre
De diamantes que brilharam na tez
De quem um dia agiu com insensatez.


***

Que corda bamba é essa
Em que vibram tuas ideias?
Não foge, não temes - peça
Para perto do que odeias?

Consomes no fogo o lugar
Em que passamos a andar
- Pedras preciosas em terras
Que pisamos em guerras!

Preciso do teu calor por aqui
Para que meu frio passe daí
- Vem, outro mundo! Fervor
Que me contraia em teu amor!


***

Um dia, tu voaste para fora
de meus pensamentos, ora.
Ganhaste a força do perdão
E só conquistou meu coração.


***

Se tua paixão vira explosão,
Curta teu tempo assim comigo
- Não me digas que sou amigo,
Que assim não me dás atenção!


***

Hoje eu acordei mais cedo,
Bebi sozinho meu café.
Trejeitos de inverno e medo
Fizeram-se hoje em pé...

Uma noite longa na memória,
Um prêmio entregue em mão.
Seria assim minha trajetória
- Só não queria passar em vão.

Já vivi tanta coisa - pouco jogo
De cartas que se põem na vida.
Agora, no meio do nosso fogo,
Vibra o silêncio que é sem saída.

Sem saída? Não meço a glória
Que haverá quando aqui formos
O respeito mútuo - não a escória
Das atuais relações - teremos.

Hoje eu acordei mais cedo,
Vi-me sozinho no teu beijo.
Lembrança que jaz - azedo
Pensar que fora um regozijo.

Vamos ser tudo novamente?
Quero-te ao meu lado assim:
Tu vens querendo - não mente!
Me dizendo que estás afim.

Eu só desejo sentir-te no frio,
Pois no calor já somos um só.
Sejamos um amor com brio,
Para que ele não morra no pó.


***

Das boas paisagens da memória,
Restou-me teu sorriso indiscreto:
Brilhou uma vez no céu a glória
De um dia ter teu beijo secreto.


***

E nas tuas palavras te molhas
Em lágrimas internas, corridas,
Para não intentar o que olhas -
Fazer-se curar todas as feridas.

Mas tu vês, amor, que mal é?
Perdes-te nas nuvens de risos;
Te encontras no pingo do café
- Benefício dos tais precisos?

Por que não vens logo a mim
E me falas tudo que guardas?
Não sou anjo de puro carmim,
Mas busco aquilo que tardas...


***

Paira-me no silêncio de teu rosto
Uma onda de dúvidas só serenas:
Teríamos encontrado o meu gosto
Só em céu de palavras amenas?


***

Numa noite de som alto e gostoso,
Perdidos no céu do antigo encanto,
A lua fez-se presente no teu canto
- Transformou a noite em puro gozo.

Os olhos cheios em pista de dança
Fazem-me procurar a tal esperança
De que certo tempo ainda permanece
Nos corações daqueles que tem prece.

Não desencanta com o que passara,
Nem uma vez mais te faça o silêncio
Que distancia o coração - que nos para:

Encontra uma vez mais o prenúncio
De que as palavras de novo te buscarão
Para que teu ouvido só tenha meu refrão.


***

Segue o caminho de pedras resvalantes
Que ignoram teu poder de me persuadir:
Estou a um passo de te ver - e te proibir
De ficar longe de mim - nossos instantes.

Ah, minha bela, que gentil te reconheci!
É teu dia uma vez mais, meu doce rubi!
Todos os momentos são nossos agora,
Mas se queres que deste lembre outrora...

Pensa comigo: eternidade de teus dias
É a celebração diária de tua força além
- Desterro do mal em nome do teu bem!

Celebra uma vez mais teu momento, amor,
Pois em nossos percursos de antes havias
Contado nos beijos o nosso intenso calor!


***

Diga-me tudo que puder!
Na réstia de nossos amores,
Com todo orgulho e rubores,
Digo-te "parabéns", mulher!


***

Vejo teu rosto de cansaço
Despertando teu riso feliz:
Que bom vê-la no espaço
Da verdade - eterna raiz.


***

Vejo meu são canto perdido na noite,
Vibrando em detalhes claros de neon.
Não escutas ao longe o velho açoite
Que deflagra há tempos meu som?

***

Em toda concepção, está clara tua ideia.
Tornaste-te flexível ao meu claro olhar?
Deixaste para trás um aroma de pesar
Que insiste ser tudo que nos incendeia?

Às vezes me pergunto, seguro pelo ar,
Se nas tuas palavras não estão o pesar
Daquele tempo em que fomos felizes -
Logo no caminho tão cheio de diretrizes.

Agora que te vejo ao longe, martirizado
Por palavras que não representam muito,
Sou suspeito para tecer ideias com intuito:

Fez-me homem de um só amor adoçado
Pela delicada tez de teu sorriso tão belo,
Que me deu forças para seguir este elo.


***

Que música tu ouves agora?
Recordas das nossas trilhas
Em CDs de um tempo afora
Que hoje nos formou ilhas?


***

Abrimos a bagagem daquele tempo
E percebemos que algo ali faltou:
Era o pó, o enlace, tudo que minou
- Só não era carinho em contratempo.

Faltou um abraço mais forte - verdade.
Faltou o controle do destempero, sim.
Nunca fomos um universo sempre afim,
Mas montamos e vivemos na seguridade.

Rompeu-se meu tempo ao abrir a mala:
Partiste sem me deixar um único lenço
Que contivesse as lágrimas - algo intenso.

Pena partires, minha querida - só me abala.
Fica na memória alguém que deixou a vida
Para outrem que buscava deixar-te provida.


***

Aqueles que viram seu rosto
Recuaram apurados - com gosto.
Viu seus medos estampados -
Paciência de anos inacabados.

***

Chora o tempo em lágrimas derradeiras:
"Teu fim é próximo?", questionou-me afim.
"Nem para meu sonho", respondi assim.
- Fique entre nós essas ideias passageiras.

***

Morre no poente tua última esperança:
Que país novo queria para teus filhos?
Jaz em leito de róseos frutos - amansa
A nação de te seguiu - velhos andarilhos.

Parte, enfim, para a nova vida a tua alma
Que findou os acontecimentos terrenos,
Que desgostou altos poderes e governos
- E agora silencia em caminho de calma.

Voa para o céu, sonhador! Que tua guerra
Termina aqui - Sem lançar bombas e tiros
Para que a vida seja repleta de suspiros.

Não há vencedor sem saber no que erra
E demonstraste que nesta arte és valoroso.
- Parte para teu além, teu leito clamoroso.


***

Longínqua casa que habita minha vida:
Queira que logo chegue a hora de partir
Para encontra-te uma vez mais e só vir
Ao campo estrelado que a tornas saída!


***

Enterraste meu abraço
Na última esquina de teus sonhos.
Há ainda algo a fazer?

Derreti-me em tuas lágrimas
Escorrendo as curvas do pecado.
Há ainda algo a curar?

Esvaí-me em teus pensamentos -
Minha doutrina de anos a fio.
Há ainda algo a tornar?

Despeço-me de teus sonhos
Do meu desejo mais puro:
Há ainda algo a buscar?


***

Quando toco teu pensamento com a palavra
Não um há momento em que nossa lei lavra
A jurisprudência que nos colocará em papiros
Para um dia passarmos presos aos suspiros!

Quando vejo teus cabelos castanhos - passo
Dos desejos de meus dedos e meus toques,
Percebo que não há algo mais belo - pedaço
De um mundo ainda desconhecido - retoques.

E te ver ao vento deve ser meu infinito - léu
Que um dia se foi distante e hoje é meu berço
- Um espaço incessante para chegar ao céu:

Se nas palavras encontro um puro e singelo
Ser - és nas madeixas a ninfa com o terço
Da oração que me faz vê-lo ainda mais belo.


***

Tudo depende do nosso ponto de vista:
Olhas pela esquerda e encontra-se feliz;
Olhas pela direita e não se vê meretriz.
Pra que se preocupar com a tua artista?


***

Nas descidas das curvas do teu dorso,
Perdi-me em lascivos desejos amorosos:
Encontraria em teu profundo remorso
Os beijos que um dia foram luminosos?


***

Aquela doce cena em que te beijava,
Parou no tempo de minha memória
- Fecho os olhos para encontrar o tempo...

Ah, minha bela! Voaste para tão longe,
E mascaraste tua vida neste por-do-sol
- Que destino para aquele gentil amor...

Agora a nossa cama é ardente recordação
De teus olhos de tigresa tão amaldiçoados
Que nem nosso velho abraço esmagará...

Danças tua música bela - doce momento
Em que teus olhos verão cor - mundo novo
Que irradia expectativas distantes de mim...


***

Ah, beijo insano! Recordas-me te um gosto
Que repassa aquela visão do tão belo rosto
Da amada que um dia se viu distante, partida!
Agora paro diante do espelho e beijo - tua ida!

Outrora felizes num caminho de róseos campos,
Brigamos por aquela diferença que já tínhamos:
Pensamentos fugazes de alentadores pirilampos
Que hoje não habitam a mesma ideia: fôramos.

Que houve para que tal beijo se tornasse fim?
Que belo mundo seria se quiséssemos partir
Para o infinito sincero de nosso constante "sim".

Mas não: chega de procurar resposta sem ir.
Vai! Segue adiante com um novo doido calor
Para que mais uma vez te descubras, amor.


***

Se me moves o inverno neste teu coração,
Vejo em cada folha rosada pelo teu tempo
A imagem de que um dia seremos a união:
Um belo amor que não perde contratempo.


***

Vejo nos teus olhos o amor da tigresa
Que realça teu encanto de boa menina
- O que há de tão intenso nesta tua sina
Que parece deixar de lado tua aspereza?


***

Mas agora eu luto contra tua sombra comprida,
Meu algoz tesouro que brilhara em minha mente.
Serve-te deste copo de luz que jaz fosforescente,
Para então buscar a luta que um dia será vencida.


***

Se talvez um dia te dissesse
Que senti tua falta no verão,
Ver-me-ias com este clarão
E me dirias "que quermesse"?


***

Olhar para o lado e encontrar satisfação
- Ah, necessidade! Gritas com ardor aos muros
De pessoas tão néscias e ainda em apuros
Neste vão mundo que não quer maior ação.

Vês as fotos do peitoral delineado pelo sol?
Quem sabe encontras na beleza a pimenta
Que ainda falta em teu céu - que só aumenta
A desgraçada vontade de fisgar aquele anzol.

Quanto mais te curvas ao belo, gentil criança,
Menos encontras a essência do sentimento -
Este sim, que pode ser visto como alimento.

Enquanto tu foges do martírio daquela lança
Que te quer dizer uma verdade, cala-me afim:
Mostra-me que tens mais que visão de marfim.


***

Limpezas de minhas alegrias intensas,
Meu verso ganha mote neste universo:
Tua alma na minha - espaço diverso,
É respaldo para deixar as vidas tensas!

Abre o meu verso, gentil como descaso,
Para orgulhar tua vida - mais este caso,
Que num céu doce de algodões flutuantes,
Far-se-á em clamor as ideias esvoaçantes.

Planejo assim, a virada deste novo início:
Que propaguem pelas minhas o tal vício
De encontrar amor dito em qualquer lado!

Mostrarei meu verso pelo motivo que for:
Agora, busca tua vertente que indica alado
Este pégasos que voa pelo infinito amor!


***

Terra - sustento de meus pés!
Água - reaviva meu poder de lutar!
Fogo - alma viva que não pede rés!
Ar - meu único zelo que só quer amar!

***
Vistas para a rua deserta
Rememoram minha visão amorosa:
Ah, como foi bom deixar-te, glosa,
Para levar minha incerteza coberta.

***
Na passagem serena do meu coração
Viaja meu sonho para encontrar-te
- Rubores mil afugentam minha oração,
Mas não desistem, no fim, de fazer tal arte

Quero-me ao teu lado, na armadilha
Armada com o beijo que me deste
- Cruza do bem com o mal, uma ilha
No meio do mar totalmente celeste

Ah, sereia da minha vida! Qual mar
Será tão inspirador para o poeta
Fugir de tuas garras e não te amar?

Serás meu ponto de início – sonho
Que uma dia se fez ilustre – completa
Com nossa alma – apaga o céu tristonho.


***

Lavo-me em banho de sal grosso
Para espantar teu pensamento vão
Que impura minha alma de solidão
E me deixa cada vez mais moço...

Talvez cure a minha dureza de existir
- Impositora vil de reminiscências curtidas
Que mais parecem elementos para doídas
Memórias que talvez se vão - doce elixir.

Recubro-me com o manto de sabedoria
Para afastar de vez tua insígnia diacronia
Que nos faz andar em total dessintonia:

Quiseras uma lacuna físico e poderia,
Gentil pastora de meus sonhos, terminar
Com a vida de homem que só faz amar.


***

Batem as asas que ruflam meu destino
- Impropérios de um mar no vespertino
Que inunda a alegria em lágrimas assim,
Mas que sustenta ainda o velho doce fim.

Miraste a estrela que te guiou até aqui?
Percebeste que ela aos poucos se apaga
- Se isola, se mancha, se desfaz por aí -
E que jaz num tempo que o pudor paga?

Viajas ao mundo de horizonte fértil, amor,
Mas resvalas nas delícias do corpo - carne
Que se desfaz com a própria noção de pudor.

Disfarças o amor de antes - então escarne!
Ponha para fora o sentimento tão impuro,
Só te peço que não aumente meu agouro!


***

Um silêncio me toca o corpo num gelo:
Quem és tu que te aproximas assim
- O que tu tanto desejas às claras de mim?
Talvez seja apenas este terrível flagelo...

Nestes tempos de serpentes delinquentes,
Sirvo minha alma num prato tenebroso -
Resquícios de um monte - Talvez esquentes
O teu riso frouxo na lama de puro seboso.

Agora vejo que de um berço agora leviano
Surgiram os tentáculos de um sonho mal
Que vive a afligir minha cabeça no umbral...

Não me basta rever teu mundo - abano:
Adeus - mundo de repressão sem sentido!
Adeus - parto para meu mundo jamais lido!


***

Um novo dia clama do horizonte
Para que sejamos além do remonte
De parcas situações de frieza escura
- Vamos desfrutar daquela magia pura?


***

Que saudade senti de ti, minha poesia,
Pois não pude te tocar por parcas horas!
Quero-te fazer em sumos de primazia,
Para me deliciar - palavras alentadoras!

No fruir de teu verso encontro meu eu -
Quem sou afinal perante tua existência?
Um reles mortal ignoto perdido no breu,
Mas que vive o prazer de tua essência.

É, minha poesia e meu verso, junto a mim
Tendes mãos amigas que auxiliam feliz
Tua aparição forte - me faz sempre afim!

Não posso mais escapar - nem por triz
De que me realizo na tua gentil verdade
- Meu verso que me trouxe maioridade!


***

Não me perguntes onde fico, coração.
É um tal lugar distante e ainda insone,
Onde permito que sonhos densos sejam
Os mais perfeitos toques de um ícone.


***

Por que será que é tão difícil
De enxergares que minha asa
Fraqueja ao voar para tua casa
- Meu rumo de amor tão fácil?


***

Elocubre se eu te dissesse:
"Eu só sei que tu me amas,
Mas verei um sem dramas"
- Agora imagina e esquece.


***

Emudece teus esforços:
É assim que queres ganhar o mundo?
Só um palheiro aceso
No meio de um oceano de ideias...

Não reclude teu canto sereno, tranquilo:
Enquanto rio desiludido,
Pairamos em alto-mar sem outro brilho,
Mas erro meu caminho...

Se eu não me afogar em palavras,
Estarei me alinhando.
Afinal, um grito obscuro do fim do mundo
É o que resta sorrir.

Mas não te quero triste.
Olha pra minha e mostra que te ergues
Deste mar revoltado -
É só meu canto que te vê feliz e amado.


***
Deu!