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Professor de Língua Portuguesa e Literatura. Mestre em Teoria da Literatura (PUCRS/2008). Especialista em Assessoria Linguística (FAPA/2011), Literatura Brasileira (PUCRS/2005) e Infanto-Juvenil (PUCRS/2006). Graduado em Letras (Unilasalle/2004). Blogueiro, leitor, gamer, aspirante a diretor de ópera, adorador de Heavy Metal, do Internacional.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Entreato

Eu, seguidor de ti.
Tu, seguidor de mim.
Um passo em falso
E o holofote nos ilumina.

Num resquício de espaço,
Um céu de brilho intenso e raro.
No nosso mesmo e caro
Pudor, em paixão eu te laço.

Segue-me à linha, aproxima-se.
Toco-te, puxo-te e te beijo.
Num entreato ardente não cesse
Nenhuma vontade nem algum lampejo.

Eu, seguidor de mim,
Encontro-me em ti.
Tu, seguidor de ti,
Completa-te em mim.

Num entreato de espaço aberto,
Tu, seguidor de mim, alçou-me.
Num jogo de mergulhos, num aprume,
Vejo-me em teu calor, sempre, ao certo.

Sou seguidor de ti.
És seguidor de mim.
Não há entreato em que não se observe,
Que somos ato de um teatro eterno.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Um carro

O sonho de todo menino é ter um carro.
"Quero dirigir!", diz ao pai.
"És pequeno!", ele responde, não raro,
"Quando maior, pedirás um 'não apelai!'".

Carro de duas ou quatro portas.
Um ar condicionado, amplificadores.
Não há no mundo um desejo de mortas
E más jornadas que substitua os motores.

Num sonho breu, o menino viu uma imagem:
O carro, arrojado tal qual sua vontade, iluminado:
Havia algo mais do que um mero vestígio corado.
Era um ser de alva face, de corpo em vertigem.

O carro, então, passou a ser apenas um carro:
Desde que o menino conheceu a imagem do carinho,
Nenhum objeto se tornou tão claro quanto o amarro
De dois corações: o meu e o teu, unidos num ninho.

domingo, 14 de agosto de 2011

Como é grande a minha dor sem você (Aula de Literatura)

Num dos trabalhos exigidos aos alunos, uma apresentação criativa sobre a obra A menina com a lagartixa, de Bernhard Schlink, foi exigida. Dentre as produções, uma em especial chama a atenção para este blog: um poema, feito pelos alunos Lucas Mendonça, Victor, Roberto e Gabriel. Adaptando a música de Roberto Carlos, Como é grande meu amor por você, realizaram essa produção, totalmente vinculada ao significado da obra. Parabéns aos guris!
***
Depois de tanto tempo
sem te ver
com tristeza
te ver morrer
Como é grande
a minha dor
sem você
Muitos livros você
deixou, aquele quadro você
guardou
Como é grande
a minha dor
sem você
Depois disso
voltei para casa
para ver a minha namorada
Mas tudo que eu pensava
era aquele quadro que ela observava
Ela se achava parecida
com a menina, daquele quadro
que nos olhava
Como é grande
a minha dor
sem você
Ela teve há audácia
de terminar, porque com
o quadro eu quis ficar
Como é grande
a minha dor
sem você

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Caminhando nas nuvens

Céu de brumas límpidas e serenas,
Um espaço amplo de celestialidade e candura:
Assim é tua casa, teu espaço entre açucenas,
Assim é meu coração, num céu cheio de ternura.

Sai de casa e caminha entre nuvens de felicidade.
Vejo-te longe, ao céu, mas com vontade indescritível:
És um anjo de amor em meio a um espaço de verdade.
Sou um ente que lida com a paixão de forma legível.

Desces à terra e vês o quanto teu caminho é carinhoso:
Encantas um caminho rico de beleza e engenhoso.
Há, no entanto, um eco por ti a ser ressoado e calado:

Que, num caminho de nuvens, opera um peito alado,
Que por te ver, clama pelo teu abraço quente;
Que por te ter, não vê mais o mundo cão, sequer doente.

domingo, 7 de agosto de 2011

Desconstrução bonita

Encontrei um caminho de rosas debaixo do meu travesseiro.
Era um caminho límpido, aconchegante e bastante quente.
No meio do caminho, ouvia-se a quebra das ondas.
Na quase chegada, um som me fazia vibrar:
Encontrei-te no meio do caminho.
E agora só quero amar.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O animal

O impulso do animal era severo.
Criava situações, pendia espaços,
Bajulava a presa, atormentava quem visse,
Perpetrava medos.

Animalizar os espaços era sua vontade.
Despejar sua raiva e seus medos o faziam melhor.
Transgredir, burlar, descamar e arrancar:
Tudo o que o deixava imponente frente ao espelho.

O animal, em si, é o homem:
Quando amedrontado pelo seu eu,
Busca na dor alheia o que lhe faz bem,
Para que busque uma melhoria frente ao nada.