Quem sou eu

Minha foto

Professor de Língua Portuguesa e Literatura. Mestre em Teoria da Literatura (PUCRS/2008). Especialista em Assessoria Linguística (FAPA/2011), Literatura Brasileira (PUCRS/2005) e Infanto-Juvenil (PUCRS/2006). Graduado em Letras (Unilasalle/2004). Blogueiro, leitor, gamer, aspirante a diretor de ópera, adorador de Heavy Metal, do Internacional.

domingo, 2 de maio de 2010

Decifra-me ou devoro-te

Que criatura pela manhã tem quatro pés, 
ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três? 
Ela estrangulava qualquer inábil a responder,
daí a origem do nome esfinge, que deriva do  
grego sphingo, querendo dizer estrangular.


No mais completo breu,
À luz de fantasias incomparáveis,
Lá está ele, pronto para mais um combate.
Apesar dos avanços inimagináveis,
Com brandura, calor e força,
Enfrenta sua última adversária e suas palavras ágeis.

"Esfinge és", brada o guerreiro,
"Se não me deixais passar, corto-te a cabeça!"
De repente, num lance bastante rápido,
O monstro torna, a cabeça desenlaça:
"Hás de passar, grande herói, mas não antes
De decifrar uma última e breve trapaça."

Atormentado por mais um agouro,
O herói aceita o desafio, mas suplica:
"Que seja breve, pois aqui não mais tempo
Tenho. Andes nessa provação, atípica
Para mais esta batalha de campos hostis,
Para mais uma vitória de dose única."

"Pois, então", diz a esfinge, "diga-me breve:
Que animal, quando jovem, caminho em quatro
Pés; que em idade adulta vira bípede; que,
Por fim, ao leito de morte, três pés é extrato?"
Deixa-se o herói em grande agonia, maior
Que todas as dificuldades antes houvesse ilustrado.

"Esfinge és", diz o guerreiro,
"E de nada me adianta falar! És monstro, és todo,
Lama de homem, retumbância magistral,
Mas nada há de terminar comigo, nem estrondo
De uma fala tão descomunal! Saia!"
Finaliza o combatente, sem mais qualquer lodo.

"Devoro-te, portanto", ameaça a Esfinge,
"Já que não temes o mal! Arranco-te a cabeça,
Os olhos, as entranhas, com um único toque
Desfigural. Não te disseram que esmoeça
Antes que o mal tome conta de teu ser?
Não mais serás do que folha que esvoeça!"

Pretende finalizar o guerreiro, dizendo:
"És tão pouco para bradar tanto! Num raio
De quilômetros ouvirei tua súplica ao ver-me
Demolir tua sentença, já que me contraio
Apenas para pensar em algo que já é tão óbvio:
o que queres que eu responda é homem, raio!"

E assim o guerreiro desfaz a Esfinge,
Decifrando-a em nome de um bem superior.
Bem esse que não se encontra em qualquer requinte
Senão em embevecido espaço de furor:
Um rei que nega o filho por grande medo
Terá agora de sofrer as consequências de seu pavor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário