sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Poemas do Facebook - VI

Mais um pouquinho...

***

E se chover, ao longo do caminho,
Tu virás me livrar de cada espinho,
Para tirar de vez a angústia sagaz
E trazer-me meu doce beijo de paz?

***

Ao longe, nas colinas distantes,
No meio da memória, ela surge.
Luzes aplacam-se em montes
Para replicar a visão idealizada.

Mais próximo, vindo os entes,
Aproximam-se da luz que urge:
Não mais há o que desmontes
Para mudar a tez suavizada.

Quando intentam falar às mentes,
Tão próximos que algo te muge:
Não os queres aqui, horizontes
Distantes na paz enviesada.

O que queres, pastora, se antes
Servias ao amor que era o auge?
Queres aos pés que é tua fronte
Urrar a liberdade defasada?

Sinto que as vozes constantes
Te ensurdecem, sem cônjuge
Que te auxilie logo à ponte.
Queres cair à morte desafiada?


***

O que tu vês por meio da rede?
O que enxergas em tanta disparidade?
Não me digas que é a falsa idade
Que atrela a loucura à falsidade...

Que me dizes quando não atestas
No meu amor a tua formalidade?
Que gentil decência sem maldade
É essa que te unes e te contestas?

Não, meu bem, não me digas nada:
A doçura de teus olhos me abranda,
Mas não me faz esquecer a alçada:

Trouxe-te os lírios um dia sonhados,
Com o vigor de quem sempre os manda,
Mesmo com meus olhos marejados.


***

Chove lá fora e não te vejo.
Água rola mais rápida que
A lágrima que insiste em Tejo
Descer do céu num tanque.

Chove muito e não te leio.
A água desce firme - relampeio.
Quanto mais vontade sinto,
Mais percebo o longe instinto.

Chove demais aqui dentro.
Sinto que meu coração perde-se
No meio das trevas que mece
Por mim qualquer cor adentro.

Chove demais no coração.
Lindo espaço de constelações
Que abriga dores aos grilhões
E que me deixa só na ilusão.


***

Tempo
Corre rápido como a luz
Que te toca a face
Que te raspa a vida
Seguindo sem rumo...

Tempo
Artimanha breve da vida
Que nos faz correr atrás
Que nos faz buscar a paz
Seguindo em descortesia...

E aí você vê
Passando o tempo
Que algo mais real e puro
É capaz de mudar nosso caminho
É capaz de nos formar um sonho...

Por que a gente busca
O tempo que a gente perdeu?
Que algo mais real e puro
É capaz de encontrar a ilusão
É capaz de retomar a combustão?

Tempo
Faz-me correr atrás do vento
Faz-me encontrar só o alento
Nos braços de quem é feliz
Segundo sem rumo...

E aí você vê
Seguindo em total frenesi
Que algo mais real e puro
Faz-nos correr atrás do vento
Faz-nos encontrar o nosso sonho.

E aí você vê
O tempo que a gente perdeu
Sem se dar conta, total breu,
Nos braços de quem é feliz
Que és tudo que sempre quis.


***

Como diria aquela música passada,
"Quisera ser um peixe, para em teu
Límpido aquário mergulha" - apogeu
do brega, mas que ilustra tua caçada.

És um monte de total perigo, forma gentil
De um belo tesouro cristalino, que não
Busca apenas o amor doce menos vil,
Mas todo um sonho de ser sem senão.

Este aquário que te espera dia após dia
Está sempre numa onda constante,
Pois só de tempestade se repudia:

Necessita o balançar do peixe contente,
Que em inúmeras nadadas faz o que quis,
Apenas para mais um dia ver-me feliz.


***

Levantei sorrindo para o dia.
Teria sido o fim da tempestade?
Teria sido a ira que se foi logo?

Levantei sorrindo para ti.
Teria sido a noite amansadora?
Teria sido a manhã desnevoada?

Levantei sorrindo para mim.
Teria meu sono passado em branco?
Teria minha vida sustentado o tranco?

Levantei sorrindo hoje.
Levantei expondo um sorriso.
Levantei com olhos brilhosos.
Levantei pensando em ti.


***

Grilhões aferroados mantém-me aqui.
Suspenso em meio ao vácuo, primo
Pela boa liderança feita no teu limo,
Para poder usufruir as passagens daqui.

Observo por minha janela a dor feita
Por milhares de gritos ensurdecedores.
Não é mais minha mão que me alimenta,
Mas todos os sons vindos dos corredores.

Que mal há em sentir prazer na dor?
Que sentido há em viver apenas feliz?
Quisera que o ma também fizesse triz:

Na minha esperança vigiada em torpor,
As grades desta prisão fazem-me sentir
Que minha ingratidão é eterno porvir.


***

Amigo,
Amículo,
Amígdala,
Amígdalite.

Amígdala,
Amigo,
Amículo,
Amiculite.

Amículo,
Amígdala,
Amigo,
Amiculite?


***

Resquícios de quimeras passadas,
Meu espírito vaga em claustro.
De que servem as almas fechadas?
Não haverá vida para algo destro.

Polímeros de constituição vaga,
Cimentos de apagar corações,
O que faz a vida concreta e paga
Também gera possíveis ilusões?

Trauma, pobre alma, de ficares vaga.
Teu tempo existirá, sempre a chaga
Partindo, evitando tua humilde dor:

Não queirais que se vão, gentil senhor,
As almas perdidas ao fechamento,
Pois devem ser soltas ao firmamento.


***

Primeiro ar no respirar da manhã,
Meu aconchego em meio às preces
É um berço generoso de espécies
Que brota de minha alma singular afã.

Premedito tuas loucas palavras sãs.
Em meio às curiosas vestes, cresce
Com o respaldo do coachar das rãs,
Uma vida chorosa, mas que enriquece.

- Até que brilha a estrela da manhã,
No auge de seu coração, que enobrece
Cada viga de tua natureza sempre louçã:

Acorda para o mundo em forma de esse,
Desviando de chagas e dores constantes
Para não seres alguém cambaleante.

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