Segue adiante!
***
Sangra-me emoções ao ler-te saudosa
De algo que nunca fora em dia algum.
Simples expor tua emoção desgostosa,
Quando em nada relembras ser nenhum.
Admiro minha falta de olhares ao perceber
Que fui único cativador de algo brilhante -
Não se quer, imune às palavras do instante,
Crer que a saudade é apenas um certo dizer.
Ah, se um dia eu não tivesse me envolvido,
E desconhecesse a tua impureza tão virginal
Talvez hoje meu coração estivesse resolvido.
Nas agruras lembranças do tempo carnal,
Deixei estendido meu coração frio ao vento,
Para que ele se seque e se cure, apenas lento.
***
Com cheiro de local novo, inabitado,
Meu coração se abre para ti assim,
Meio quieto, tonto, um pouco nublado,
- Resquícios de um tempo sem fim.
A lua me observava à noite, num sonho,
E eu caminhava em sua direção apenas.
Num caminho de luz e espaço risonho,
Havia a esperança - abraço sem penas.
Então a lua se despediu, breve e distinta.
A aurora trouxe algo mais quente e vivo,
Algo que um dia eu agradecerei num silvo:
Uma base nova, um sustento feito em tinta,
Com a fragrância do que vem forte e novo,
Para então partir ao recomeço - de novo.
***
Escondido por trás de teu olhar,
Percebo a nuance da vida doída.
Serve-me dizer-te que ao falar
Tu entregas a chaga, a moída?
Teu sorriso não me engana, não.
Sei que na curva que se realça
Está a dor para que haja perdão
- Mínimo espaço que te percalça.
É, doce moça, fingir-se felicidade
Talvez seja rude, tal qual maldade,
E não te traga aquilo que esperas...
Não finjas que não existem ternuras
Que realmente te elevem - uma vez:
Busca, anjo lindo, a tua feliz lucidez.
***
Tudo que te tocou no imenso instante
De sentimentos quentes - doce semblante
Que eu via à noite no maravilhoso céu
Que nunca mais esqueci, no gosto do mel.
Fiquei na encruzilhada do nosso desamor:
Cruzar a esquina da vida, perene torpor,
Ou ingressar na rua sem rumo, no novo,
No gosto daquilo que provarei num povo.
Engato minha marcha de caminhada lenta,
Ingressando na nova estrada cheia de poeira
- Sem sequer olhar para trás, que aumenta:
Estou a um passo de deixar a minha beira.
Avanço ao mais destemido impacto distante,
Que me fará novo ser no mundo instigante.
***
Não me sinta de longe
Tão longe
Por perto
Deserto
De minha alma.
Não te desejo mal algum
Sem ruim
Ou pela noite
Com açoite
Dentro do corpo.
Não me espere sempre doce
Tão doce
Ou até salgado
Mal amado
No meu coração.
Não serás meu anjo cálido
Tão pálido
Ou até sagrado
Comprado
De formas tão lindas.
Não sei se me ouves ou lês
Me vês?
Ou mal enxergas
Alegas...
Dentro do teu peito?
Não quero que me respondas
Às sonsas
Ou me digas
Sem ligas
Qualquer resposta sobre nós...
Só desejo que tu partas
Com aspas
Ou com beijos
Mas sem desejos
De nunca mais voltar...
***
Levanta de teu desfortúnio, anjo meu!
Já é tempo de escrever as memórias
Que um dia foram as nossas glórias
No espaço que talvez já emudeceu...
Queria encontrar as melhores palavras
Para fazer tua noite mais engraçada -
Não vejo, no entanto, a força que lavras
Quando determinas a perigosa alçada.
Ainda assim, digo-te sempre: levanta!
Não posso silenciar frente ao desalinho
Que forças num sentido tão magrinho...
Venhas com a força desmedida e tanta,
Para que eu possa te segurar o mundo
Para além deste teu sono tão profundo.
***
O mantra que por ti faço é simples:
Não tenhas medo do imponderável,
Pois nossos recursos - bem provável -
São suficientes para que contemples.
Repousa em berço sereno tua dor.
Ela quem tenta forte te indicar a volta
Deve ser calada para que posterior
Seja tua ida com abraço que envolta!
Acalma teu coração, querida amiga
- Protege tua mente do que é insano!
Imponha a teu coração apenas a figa:
Aproveitarás teus dias de um novo ano,
Voltando com as riquezas da novidade
- Algo que ninguém te tirará noutra idade!
***
Se qualquer gesto de desamor
É um gesto de socorro por amor,
O que faz da temível glória distante
Uma torre que sustenta o instante?
***
Teu encanto se dissolve dia após dia.
Sinto que em outros tempos não fora
Exatamente o que sempre senti, ora.
- Apenas resquício da imaginação ia.
Vejo-te em meio aos belos retratos
De outra gente desconhecida agora,
Mas não consigo remontar os tratos
Que um dia tivemos - ou foi numa hora?
A sede do novo atiça teu ser roído:
Não há mais passado que se curve
Ao que outrora me pareceu doído...
Na tua caminhada, que não se turve
Na memória o que houve de belo,
Já que te fazes esquecer o singelo.
***
Quero te falar de uma coisa, meu bem,
A seguir sobre onde ela anda, quem sabe,
Talvez a encontremos lá onde não acabe
As milhares de palavras que te falo também.
Quero te falar sobre aquilo que nos une,
Aquilo que há anos falavas ao meu ouvido.
É um assunto um pouco batido, meio tímido,
Mas que não cabe mais dentro de um cume.
Falar sobre o meu maior sentimento é fato
Sobre o qual preciso de toda tua atenção,
Pois assim saberei o que pensas, então.
Resta-me agora que não te faças boato
- Claro, falarei o que desejo a um querubim,
Para que eu tenha o desejado final assim.
***
Em extremos momentos dentro de ti,
Vejo a força da luz trocando válvulas.
Há muito mais dor, pavor nas máculas
Do que ódio ou amor que fica em si.
De lado a lado, vejo-te mal recomposta
- Um anjo que desce à Terra e migra
De um universo a outro em pura intriga
E que ainda busca sentido sem resposta.
Se não dormires num dos polos, princesa,
Acordarás com a bigamia dos pudores:
De um lado frescura; do outro, malfeitores.
Deixa, então, tua brilhante razão acesa,
Para que teu coração encontre local seguro
E possas desfrutar da vida e do ar puro.
***
Ah, poesia dos meus encantos! Tu que sabes
Te transformar nos versos dos mais insanos
Compreendas que em tom sempre tu cabes
Na minha alma em doces momentos cotidianos.
No verso ou na rima, clamarás palavras sãs,
Para que as estrofes não se transformem afãs
No leve ritmo das cadeias silabadas do dizer,
Que prestam a ordem ao que acabam de ver.
Se meu canto é assim, gentil poesia do sono,
Quisera-me encontrar à distância teu trono,
Para então ser o poeta de sabor mais adverso:
Com isso encontraremos, tu e eu, meu verso,
Que deságua na vida sem maior pudor ou fel,
Em busca dos lírios que te atiçam com o mel.
***
Chegado o dia do silêncio, penso no que dizes
Ao repensar tudo que aconteceu entre a gente.
No momento em que desceres destes deslizes,
Nos encontraremos para viver o bem excelente.
Mas aqui estou - parado, sem ação, sem enxergar
Que o paraíso está por trás de nós, apenas imóvel
Esperando o sol chegar, para que possamos acordar,
Saindo logo deste mal que se faz tão vil e ignóbil.
Então me abraça agora e me carrega para o céu!
É hora de ver a felicidade que nos traz até aqui já!
Não repenses teu gênio como quem busca mel...
No nosso paraíso ainda posso ver - ele está lá!
É nosso futuro que carregamos com tanto ardor,
Para finalmente encontrar o nosso distinto amor!
***
E na tua escuridão, não me chame de luz:
Incandesço mais raios - e sol me inveja.
Quereis buscar teu incessante e vil pus
Onde não mais há espaço para tua igreja?
***
Miseráveis num mundo sem igual,
Nós somos formados pela matéria
Que te dará um rio quase banal
De lágrimas a desterro da etérea.
E ainda somos todos iguais no vulto
- De cores, de lágrimas, de dor e vida,
Que insiste em ser tal qual um culto
Para justificar teus feitos comedida.
Encontramos nossa miséria apenas
Dentro de nós mesmos - mesquinhos.
Isso nos leva apenas aos moinhos:
Sem forças para subir montes, penas -
Sôfregos, somos o estrato do urbano
No momento em que se diz humano.
***
Uma canção de mim mesmo - uma benção suprema -
Já que minhas palavras erigem-se ao vento, edema
Do mais puro golpe de mazelas já antes difundidas
Que agora adocicam os ouvidos com quem tu lidas.
Uma canção de mim para mim - sôfrego repouso
Das palavras que insistem em sair claras e doces
Para um universo que retém as pálpebras precoces
E que não quer ver a imensidão do que eu ouso.
Uma canção de mim não passa de um lamento,
Pois adoeço ao sofrimento do tempo que vem lento,
Mas que me mostra que meu eu ainda sobrevive:
Não me martirizo pelas circunstâncias que já tive,
Apenas reflito sobre meu passado que veio assim
- Apenas isso bastaria numa canção sobre mim.
***
Então existe a hora de nosso adeus?
Que doce afirmação seria esperar
Que nosso último toque para contar
Fosse o caminho nos amores seus...
Nós caminhamos para rumos tortos -
Não mais que aqueles que faríamos,
Mas tão distantes para sermos mortos
Um ao outro - e um jazigo construiríamos.
Há o tempo de agora, que pede lonjura,
Mas que não deixa de te ver mais pura
Perante os caminhos que se fazem mal:
Agora, enquanto recriamos nosso astral,
Reclina-me o rosto mágico de alguém,
Que parece vir querendo assim o meu bem.
***
Já é hora de partir, meu bem - ouviste?
É minha voz que te clama um sorriso,
É meu peito vil que te chama conciso -
Não é hora de reformar o dedo em riste?
***
Imagino-te pensando em mais um passeio,
Mais um momento longe dos pensamentos...
Enquanto afogas as lembranças em desalentos,
Substitui-os por descontínuas passagens que leio.
Eras-me a flor mais bela, que buscou um mundo,
Que sacrificou outro, que tenta o maior fundo
Para encontrar-se em meio às feras solitárias -
Bestiário das mais difíceis outrora indumentárias.
Nas águas tranquilas encontra o repouso do medo,
Mas tenta igualar o receio no mundo dos espertos,
Para tentar cheirar-se de odores purificados e lerdos.
Ao passo que feres teu coração de tão azedo,
Maculas a história que um dia te fez maior princesa,
Deixando-te agora escrava de si própria, acesa.
***
Até que ponto chega a nossa estupidez?
Como negar a ciência por meio da voz
Que simplesmente quer impor sua altivez
Em vez de se deparar com o mundo atroz?
É incrível existirem pessoas como você.
Demovedora de mentes, que remontam
O cotidiano das pessoas como encontram
Pedaços de comida devorados - precoce.
Na contramão da evolução, duvidar de quem
Traz os teóricos melhores caminhos pra gente
Traz também uma grande aberração, inutilmente:
Esbarras palavras em cabeças de outrém
Que mal tem dinheiro para alimentar sua casa,
Mas que retornam tua fortuna - essa "gentil" asa.
***
Se um dia me responderes como o vento,
Ilustrar-me-á sibilantes conquistas justas:
Com qual força intenta falar em complemento
Para te ver longe de si e de mim - astutas?
Nas tempestades em que me encontro, só,
Vertigens de bom humor acompanham-me,
Mas as réstias de tuas palavras são como pó:
Levantam, preteiam, sujam - emaranho-me.
O vento poderia levar tuas palavras infinitas
Ao recônditos menos explorados de mim,
Já que não apelam mais ao destemido fim:
Apontam para janelas de sãs almas escondidas,
Insistentes por trazer o fulgor das lembranças -
Espero aberto para as quaisquer mudanças.
***
Você apareceu no meio do nada hoje à noite.
Que prazer encontro ao te perceber agora!
Seria mais frutífero eu te desvendar afora
Ou receber cada palavra num puro açoite?
***
Pensei, um dia, que tudo fora especial.
Nos mínimos detalhes - ilusão contida
No imenso trajeto percorrido sem o mal,
Na intensa coragem que em ti foi vivida.
O mundo uma vez se pintou em verde,
Para recriar o mar que brilhou as lentes
E cristalizou a maior beleza - que perde
Teu sentido quando alivias sementes...
Quando acordei de meu sonho doido,
Senti a dor de desvanecer do paraíso
E encontrar meu rosto teso, mas liso:
Foi-se o sentido que pairou doce, moído.
Ficou a esperança de um dia melhor,
Que se faz em paz sobre todo penhor.
***
O jardim da lua foi pronto para nos receber:
- Meu amor, que glória é essa que me insiste
Em te dar a paz num mundo que, de triste,
Incendeia passagens ao vento por não ver?
Se te observo pelo longo caminho, despes-se:
- Antes eu era uma, mas agora sou meu eu,
Sou a flor que perfuma ao longe carinho teu,
Mas que não pode viver apenas de tua prece.
Este foi meu último sonho contigo, meu anjo,
No momento em que, despida de teus pavores,
Vi que a vida teria caminho melhor aos clamores:
Nesta balada que se faz meu dia, ritmado banjo,
O sonho que um dia tive perdeu-se no jardim
Que preparei pelo amor que se foi pelo jasmin.
***
Naquela noite em que te encontrei,
Agonizando em meio à cólera mundana,
Meu coração de gozo se encheu - lei
Áurea de minha constelação doidivana.
Nasceu ali meu sonho belo e comum,
Em que te cuidaria pelo resto da minha vida.
Pouco eu lembrava que crescerias - num
Pó, meu corpo desvanecerá e irás moída.
Caminha, coração, para teu novo monte,
Pois em outro lado terás tua felicidade -
E que nunca custe nada além do horizonte.
Na minha redoma de cristal, terás idade
Para retomar teu caminho de luz abençoada,
Que um dia foi apenas minha estrela coroada.
***
Mentira - espectro do horror nascente
Que te fez longe por meio da tempestade.
Alegria - ah, alma cálida que, eloquente,
Traz os novos cantos de sua majestade!
***
No rabiscar deste lápis agora renovado
Que transforma o meu antigo sentir,
Em muitos mares de lágrimas afogado
Está agora meu coração a refletir.
Cruzei papéis legítimos de poeta,
Encontrando borrachas do passado.
Preferi o silêncio - avanço pelo lado
E revejo meu eu - adorável pirueta!
Enquanto escrevo sobre meu amor,
Nenhum rastro levou aquele vapor
De quando éramos bem entrelaçados:
Ficou o carinho dos antes namorados,
Que o lápis quer mostrar ao mundo,
Mas que obscurecemos lá no fundo.
***
Quando começas a balançar tuas curvas
Em minha direção mundana, desvaneço.
Quero-te humana e quente, além do esforço
De humilhar-me para sentir-te - esmoeço.
Sinto teu corpo em meus olhos, tal como és
A carne que me atiça o carinho - puro ultraje!
Já que não estás comigo - infelizes ao invés,
Agora enlouquece por algo sem feio traje.
Acreditas na felicidade carnal, bela dona?
Eu não a creio - infeliz redundância conclusiva,
Que me põe à prova a qualquer linda diva:
Meu sentimento vence o carnal que abandona.
Quem busca deteriorar meu amor, esfinge sã,
Depara-se com o pilar que será meu talismã.
***
Por hoje é só! :)
sábado, 9 de fevereiro de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Poemas do Facebook - IX
De novo! :)
***
Quando começas a balançar tuas curvas
Em minha direção mundana, desvaneço.
Quero-te humana e quente, além do esforço
De humilhar-me para sentir-te - esmoeço.
Sinto teu corpo em meus olhos, tal como és
A carne que me atiça o carinho - puro ultraje!
Já que não estás comigo - infelizes ao invés,
Agora enlouquece por algo sem feio traje.
Acreditas na felicidade carnal, bela dona?
Eu não a creio - infeliz redundância conclusiva,
Que me põe à prova a qualquer linda diva:
Meu sentimento vence o carnal que abandona.
Quem busca deteriorar meu amor, esfinge sã,
Depara-se com o pilar que será meu talismã.
***
O sol invadiu a sala, como quem
Ilumina toda a escuridão existente.
Por que, sol, tu não brilhas excelente
Para meu coração que busca outrém?
***
Amanhecer num longínquo horizonte
Não é mais que a prece pedida um dia.
Agora que na cama sozinha tu conte
Cada migalha do meu eu - gigante monte.
Daqui a pouco estarás com pessoas
Com as quais te relacionarás muito bem.
As migalhas que hoje no breu remontas
Serão esquecidas ao maior vento também.
Não pense que não conheço finais felizes,
Mas o nosso parece buscar que te organizes,
Pois ainda sofres o silêncio das conversas.
As asas da liberdade ruflam apenas esparsas,
Pois ainda não conseguiram te alçar voo -
Falta-te equilíbrio para encontrar o teu "sou"?
***
Um poema para a saudade seria apenas
Mais um entre tantos que poderia escrever.
Só o faz mais especial, de chagas penas,
Para que lances ao longe teu puro fazer.
Sinto tua falta como se sente do anjo a falta:
Guia-nos pela escuridão cinzenta da vida,
Mas que permite seguir seu percurso, na alta
Periculosidade que examine - caminho de ida.
A volta é um olhar para trás sem visão:
Quero-te ver aqui comigo, sem nenhum vão,
Mas precisas sentir no coração a primeira dor...
Um dia, quando tudo pairar, no eterno resplendor,
Viremos de encontro um ao outro - a saudade
Deixará seus medos e será bela cumplicidade.
***
Fiz o que você mandou: joguei ao vento
Aquele velho avião de papel, pairando ao ar,
Que intenta cores e mais cores, para amar,
E que aos poucos desce devagar, lento...
Balançava pelo teu suspiro cansado de ser
Meu bem, meu chão, minha cor, meu ler,
Mas que, sôfrego desassossego, desceu
Para encontrar morada no meu infinito breu.
Quando encontrou o chão e então repousou,
Fez-se em pedaços o que era velha folha:
Despedaçaram-se em milhões - coração ousou.
Agora, depois do voo mais alto: hora das pernas.
Afinal, desejo-me vivo voando novamente - e olha:
Aquela mão vil jamais trouxe lembranças eternas.
***
Oro para que a calma arrefeça o coração.
Hoje é dia de sentir além da escuridão.
É tempo de buscar nos teus olhos amor
Para sentir a cada pulsação o teu calor.
Hoje é dia de te homenagear. Quanta gente
Cala o pavor e se vê ao lado alegremente
Daquela que servirá todo seu sentimento
A quem consiga caminhar ao firmamento?
Prezo pelo caminho da boa venturança:
Não sou devoto, mas respeito teu guia
Que avança a longos passos sem agonia:
Que neste dia, se encha de esperança
O teu, o meu - coração de todos os humanos,
Para termos livres nossos erros mundanos.
***
"Somos feitos da mesma matéria
Que os sonhos", disse Shakespeare.
Sendo assim, por que não é etérea
A vida que se coloca no imenso pier?
***
Abordar as possibilidades do sonho
E concorrer com a ilusão alimentícia:
Seríamos fruto da água num banho
Ou resquícios da vida em bivalência?
Trazer à tona o real desejo de paz
Nem sempre nos faz correr atrás
Dos mistérios passageiros sombrios,
Pois se deseja ver mais com brios!
Repele a insígnia de possibilidades,
Corre além das palavras não ditas,
Para, enfim, ir longe do que conflitas:
Quero-te longe do espaço da maldade
E verás que há todo o mundo aberto
Para encontrar o que achas correto.
***
Ah, mundo real! Se eu te ligo ao vivo
Tu corres para mostrar as reprises
Que minha vida insiste em tornar crises
Em momentos que não há adjetivo!
***
Vim falar ao mundo o que penso sobre mim:
Verdades inconsequentes, imorais virtudes
Não seriam de zelo algum ter as vicissitudes
Que explodem à volta e pairam como capim.
Se meu eu realmente quer se expor - será?
Temíveis pensamentos aplacariam o mundo.
Não me resta sentir ódio ou amor moribundo
Para que minha asa dê vida ao que acontecerá.
Falo ao mundo que agora é tempo da virtude.
Sou a mescla dos singelos golpes da completude
Que viram casaca quando quer saber me expor:
Falar sobre si pode ser tão duro quanto teu amor,
Pois refugo as almas tristes componentes do medo,
Para servir de chave ao que mostra o meu enredo.
***
Será que fomos atores da nova peça?
Encontramos o que desejamos agora?
Feliz que sabe fazer bem a tua hora,
Que já não age como quem tem pressa.
Deixaremos as marcas nos conduzirem?
As mesmas que ficaram no teu beijo?
Queria prova maior - se possível seduzirem
Minhas palavras como quem tem desejo.
Se a esperança permanecesse contigo,
Acreditar seria sempre apenas um passo
- Estar contigo eternamente além de um laço.
Que as contas de quem fora um dia amigo
Retornem aos lares da perfeição antiga
- Agora nosso espaço anfitrião que se faz viga.
***
Termino minha obra pelo começo:
Caminho ao passo lento, sozinho,
Destituindo pó e, por fim, realinho
Todos os lados do sentir de gesso.
Acabou o exílio de meu certo coração.
Desço à Terra novamente para ser
Não apenas o desejo comum, mas ver
Que há mais por aqui a promover fusão.
Bem no fundo de teu coração, anjinho,
Deixei minha marca criar novos frutos,
O que não te impede virar um moinho:
Rodarás constante os caminhos brutos,
Pois nesta vida não temos derrota igual
Àquela que faz o bem ser apenas o mal.
***
Não sentes o cheiro, o aroma no ar?
É belo e é triste - longe voam em par
Para as masmorras que encontram luar
Nos duros sentidos de um amor peculiar.
Refresca tua memória e comigo lembra:
De que me serviram os anos de sombra
Com a sempre gentil formalidade da obra
Que montamos juntos - e agora é sobra?
Lá longe, no vasto pensamento esquecido,
Nenhum momento vão será redimido
Nas penumbras que me invadem o sentido:
És e eras, para que um dia sejas o anjo
Que iluminará o caminho deste arcanjo
Esperando ver na lua o teu rearranjo.
***
Amanhã será um lindo dia, meu bem.
Criamos o laço eterno no meio do mal.
Agora, mesmo com a distância abismal,
Recriarei o universo para mim também.
Recolherei todas as cartas de amor -
Ditas, espero, com sinceridade feroz,
Pois as reconheceria de longe o algoz
Desejo da separação que se faz primor.
Se um dia toquei teu coração abalado,
Lembre: comigo, grandes sonhos voaram
E se dimensionaram até o nosso lado...
Agora, compartilhando de teus ensejos,
Torna cada lembrança sons que iluminaram
E que agora guardam impulsos e desejos.
***
Hoje, nesta festa de despedida animada,
O Receio encontra o Orgulho novamente:
Abraçados, cantarolam - temível apunhalada
Que o Alegria provocará à alheia mente.
É o dia de tua despedida. Sôfregos reponsos
De ar inestimável pairam sobre a festa.
Enquanto a Tristeza e a Maldade riem sonsos,
Despede-se a Felicidade, que a todos presta.
Vais cedo de nosso caminho longo, Feliz.
Se um dia pensamos que conviverias comigo,
Hoje percebo que apenas olhava o umbigo.
Que a distância seja mútua - e por um triz,
Rápida viagem das desventuranças do Amor,
Ele chegue aliviando o coração da temível dor.
***
Às vezes sinto o silêncio da noite
Dizer-me versos ainda sem entender.
Pego-me várias vezes num açoite
De lembranças que querem se erguer.
Quando penso em ti, estás partindo...
Em minhas memórias, este "abandonar"
É verbo inconjugável, se esvaindo -
O que sempre ao menos busca me orientar.
Às vezes, vejo-te passando pela porta.
Parte - e quando de novo me dou por conta
Sonho com teu retorno lento à ponta.
Quando penso em ti passando pela porta,
Percebo que meu mundo partiu-se em dois:
Um antes do amor; o outro amor, depois.
***
Dia da saudade, é verdade... Lembrar
Dos acontecimentos findos além-mar...
Quem me dera reconsiderar o tempo
Para vê-lo passar, tranquilo e lento...
Repassa-me o filme das saudades antigas
E remeto-me às atuais: mútuo de carinhos
Terminados - aos montes e nos moinhos
Da vida se encerram passagens amigas.
Dia da saudade e me despeço de ti, amor:
Foi-se o tempo do medo e da infelicidade!
Quisera um pouco mais desta vontade...
Agora, passos adiante, olhar para trás
Não basta - Querer o momento na idade
É a flor do recomeço que o tempo traz.
***
Deu! :D
***
Quando começas a balançar tuas curvas
Em minha direção mundana, desvaneço.
Quero-te humana e quente, além do esforço
De humilhar-me para sentir-te - esmoeço.
Sinto teu corpo em meus olhos, tal como és
A carne que me atiça o carinho - puro ultraje!
Já que não estás comigo - infelizes ao invés,
Agora enlouquece por algo sem feio traje.
Acreditas na felicidade carnal, bela dona?
Eu não a creio - infeliz redundância conclusiva,
Que me põe à prova a qualquer linda diva:
Meu sentimento vence o carnal que abandona.
Quem busca deteriorar meu amor, esfinge sã,
Depara-se com o pilar que será meu talismã.
***
O sol invadiu a sala, como quem
Ilumina toda a escuridão existente.
Por que, sol, tu não brilhas excelente
Para meu coração que busca outrém?
***
Amanhecer num longínquo horizonte
Não é mais que a prece pedida um dia.
Agora que na cama sozinha tu conte
Cada migalha do meu eu - gigante monte.
Daqui a pouco estarás com pessoas
Com as quais te relacionarás muito bem.
As migalhas que hoje no breu remontas
Serão esquecidas ao maior vento também.
Não pense que não conheço finais felizes,
Mas o nosso parece buscar que te organizes,
Pois ainda sofres o silêncio das conversas.
As asas da liberdade ruflam apenas esparsas,
Pois ainda não conseguiram te alçar voo -
Falta-te equilíbrio para encontrar o teu "sou"?
***
Um poema para a saudade seria apenas
Mais um entre tantos que poderia escrever.
Só o faz mais especial, de chagas penas,
Para que lances ao longe teu puro fazer.
Sinto tua falta como se sente do anjo a falta:
Guia-nos pela escuridão cinzenta da vida,
Mas que permite seguir seu percurso, na alta
Periculosidade que examine - caminho de ida.
A volta é um olhar para trás sem visão:
Quero-te ver aqui comigo, sem nenhum vão,
Mas precisas sentir no coração a primeira dor...
Um dia, quando tudo pairar, no eterno resplendor,
Viremos de encontro um ao outro - a saudade
Deixará seus medos e será bela cumplicidade.
***
Fiz o que você mandou: joguei ao vento
Aquele velho avião de papel, pairando ao ar,
Que intenta cores e mais cores, para amar,
E que aos poucos desce devagar, lento...
Balançava pelo teu suspiro cansado de ser
Meu bem, meu chão, minha cor, meu ler,
Mas que, sôfrego desassossego, desceu
Para encontrar morada no meu infinito breu.
Quando encontrou o chão e então repousou,
Fez-se em pedaços o que era velha folha:
Despedaçaram-se em milhões - coração ousou.
Agora, depois do voo mais alto: hora das pernas.
Afinal, desejo-me vivo voando novamente - e olha:
Aquela mão vil jamais trouxe lembranças eternas.
***
Oro para que a calma arrefeça o coração.
Hoje é dia de sentir além da escuridão.
É tempo de buscar nos teus olhos amor
Para sentir a cada pulsação o teu calor.
Hoje é dia de te homenagear. Quanta gente
Cala o pavor e se vê ao lado alegremente
Daquela que servirá todo seu sentimento
A quem consiga caminhar ao firmamento?
Prezo pelo caminho da boa venturança:
Não sou devoto, mas respeito teu guia
Que avança a longos passos sem agonia:
Que neste dia, se encha de esperança
O teu, o meu - coração de todos os humanos,
Para termos livres nossos erros mundanos.
***
"Somos feitos da mesma matéria
Que os sonhos", disse Shakespeare.
Sendo assim, por que não é etérea
A vida que se coloca no imenso pier?
***
Abordar as possibilidades do sonho
E concorrer com a ilusão alimentícia:
Seríamos fruto da água num banho
Ou resquícios da vida em bivalência?
Trazer à tona o real desejo de paz
Nem sempre nos faz correr atrás
Dos mistérios passageiros sombrios,
Pois se deseja ver mais com brios!
Repele a insígnia de possibilidades,
Corre além das palavras não ditas,
Para, enfim, ir longe do que conflitas:
Quero-te longe do espaço da maldade
E verás que há todo o mundo aberto
Para encontrar o que achas correto.
***
Ah, mundo real! Se eu te ligo ao vivo
Tu corres para mostrar as reprises
Que minha vida insiste em tornar crises
Em momentos que não há adjetivo!
***
Vim falar ao mundo o que penso sobre mim:
Verdades inconsequentes, imorais virtudes
Não seriam de zelo algum ter as vicissitudes
Que explodem à volta e pairam como capim.
Se meu eu realmente quer se expor - será?
Temíveis pensamentos aplacariam o mundo.
Não me resta sentir ódio ou amor moribundo
Para que minha asa dê vida ao que acontecerá.
Falo ao mundo que agora é tempo da virtude.
Sou a mescla dos singelos golpes da completude
Que viram casaca quando quer saber me expor:
Falar sobre si pode ser tão duro quanto teu amor,
Pois refugo as almas tristes componentes do medo,
Para servir de chave ao que mostra o meu enredo.
***
Será que fomos atores da nova peça?
Encontramos o que desejamos agora?
Feliz que sabe fazer bem a tua hora,
Que já não age como quem tem pressa.
Deixaremos as marcas nos conduzirem?
As mesmas que ficaram no teu beijo?
Queria prova maior - se possível seduzirem
Minhas palavras como quem tem desejo.
Se a esperança permanecesse contigo,
Acreditar seria sempre apenas um passo
- Estar contigo eternamente além de um laço.
Que as contas de quem fora um dia amigo
Retornem aos lares da perfeição antiga
- Agora nosso espaço anfitrião que se faz viga.
***
Termino minha obra pelo começo:
Caminho ao passo lento, sozinho,
Destituindo pó e, por fim, realinho
Todos os lados do sentir de gesso.
Acabou o exílio de meu certo coração.
Desço à Terra novamente para ser
Não apenas o desejo comum, mas ver
Que há mais por aqui a promover fusão.
Bem no fundo de teu coração, anjinho,
Deixei minha marca criar novos frutos,
O que não te impede virar um moinho:
Rodarás constante os caminhos brutos,
Pois nesta vida não temos derrota igual
Àquela que faz o bem ser apenas o mal.
***
Não sentes o cheiro, o aroma no ar?
É belo e é triste - longe voam em par
Para as masmorras que encontram luar
Nos duros sentidos de um amor peculiar.
Refresca tua memória e comigo lembra:
De que me serviram os anos de sombra
Com a sempre gentil formalidade da obra
Que montamos juntos - e agora é sobra?
Lá longe, no vasto pensamento esquecido,
Nenhum momento vão será redimido
Nas penumbras que me invadem o sentido:
És e eras, para que um dia sejas o anjo
Que iluminará o caminho deste arcanjo
Esperando ver na lua o teu rearranjo.
***
Amanhã será um lindo dia, meu bem.
Criamos o laço eterno no meio do mal.
Agora, mesmo com a distância abismal,
Recriarei o universo para mim também.
Recolherei todas as cartas de amor -
Ditas, espero, com sinceridade feroz,
Pois as reconheceria de longe o algoz
Desejo da separação que se faz primor.
Se um dia toquei teu coração abalado,
Lembre: comigo, grandes sonhos voaram
E se dimensionaram até o nosso lado...
Agora, compartilhando de teus ensejos,
Torna cada lembrança sons que iluminaram
E que agora guardam impulsos e desejos.
***
Hoje, nesta festa de despedida animada,
O Receio encontra o Orgulho novamente:
Abraçados, cantarolam - temível apunhalada
Que o Alegria provocará à alheia mente.
É o dia de tua despedida. Sôfregos reponsos
De ar inestimável pairam sobre a festa.
Enquanto a Tristeza e a Maldade riem sonsos,
Despede-se a Felicidade, que a todos presta.
Vais cedo de nosso caminho longo, Feliz.
Se um dia pensamos que conviverias comigo,
Hoje percebo que apenas olhava o umbigo.
Que a distância seja mútua - e por um triz,
Rápida viagem das desventuranças do Amor,
Ele chegue aliviando o coração da temível dor.
***
Às vezes sinto o silêncio da noite
Dizer-me versos ainda sem entender.
Pego-me várias vezes num açoite
De lembranças que querem se erguer.
Quando penso em ti, estás partindo...
Em minhas memórias, este "abandonar"
É verbo inconjugável, se esvaindo -
O que sempre ao menos busca me orientar.
Às vezes, vejo-te passando pela porta.
Parte - e quando de novo me dou por conta
Sonho com teu retorno lento à ponta.
Quando penso em ti passando pela porta,
Percebo que meu mundo partiu-se em dois:
Um antes do amor; o outro amor, depois.
***
Dia da saudade, é verdade... Lembrar
Dos acontecimentos findos além-mar...
Quem me dera reconsiderar o tempo
Para vê-lo passar, tranquilo e lento...
Repassa-me o filme das saudades antigas
E remeto-me às atuais: mútuo de carinhos
Terminados - aos montes e nos moinhos
Da vida se encerram passagens amigas.
Dia da saudade e me despeço de ti, amor:
Foi-se o tempo do medo e da infelicidade!
Quisera um pouco mais desta vontade...
Agora, passos adiante, olhar para trás
Não basta - Querer o momento na idade
É a flor do recomeço que o tempo traz.
***
Deu! :D
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Poemas do Facebook - VIII
Mais um pouquinho!
***
Enquanto fazes gosto de me ver assombrado,
Trilho pelo caminho que outrora vi negado:
Redenção intensa, caminho das mil flores,
Encontrei em ti sentido em que não vão pudores.
***
Que aurora de boa ventura a traz?
Sinto que minha pele se levanta para ver
A bela alma que se aproxima lá atrás,
Nos distantes montes de flores a nascer.
Encho-me de carinho e torpor só para ti,
Tanto que inundo meu pensamento vago,
Tornando-se uma chama de peso raro
Como num sonho que um dia eu vi.
Eras a mais bela das princesas, meu amor,
Vinda de longe, num cavalo branco errante,
Que acertou o trajeto em passo escaldante.
Eras o meu amor, há tanto tempo um louvor,
Que hoje cura minha solidão de sentir capaz
Adiantar um tempo de que estou atrás...
***
Por que temos de dizer adeus?
É um presságio próximo, claudicante,
Ou um passo que daremos adiante?
Só sei que sou presente nos seus...
***
Não me peça que me perdoe sempre
Que eu te disser uma palavra sincera.
Somente o pó, que age como pantera,
É capaz de levar minha voz - compre!
Compra meu silêncio de batidas curtas
Que se revelam ao léu de esperanças
- Outras mil, como de costume, me furtas
Na maior inocência - gentis balanças...
O que era palavra doce agora é raio:
Estouras eloquente pelo espaço ralo
E atinges meu ouvido como de soslaio.
Era um tempo bom aquele: era matá-lo
A solução do teu problema - ele venceu.
O medo se irrompeu e invadiu o breu.
***
Neste belo conto de fadas em que te vi,
Não foste a única moça de belas madeixas
Que se fez escutar as taciturnas queixas
Que vieste cantarolando pelos ares - bem-te-vi.
Nas tuas asas fortes e arrebatadoras,
Vi que te prendias apenas ao horizonte -
Um belo arco de lonjura lá num monte
Que deita o sol em canseiras alentadoras.
A fada em que te transformaste era bela:
Só não imaginei que essa ilusão, ora aquela
História singela - se transformasse em dor:
Os belos olhos se tornaram o pior pavor;
Os singelos traços fizeram-se ora horrores
E tornou-se a bruxa de todos os meus pavores.
***
Enquanto desces ao mundo novamente,
Pairo-me no ar humilde a pensar:
Quem vem é minha amada incandescente
Ou é apenas o espectro do luar?
***
Minhas palavras se perdem em verso
Que me rendem lágrimas de teu olhar.
Se não fosse tão alto meu velho cantar,
Talvez não sentisses por perto adverso.
Nas ondas de tuas palavras, recriei o céu.
Agora, lá na tua ilha singela, levantas
As águas - ainda geladas - que espantas
Por versos não navegados, perdidos ao léu.
Segurarias minha mão se desembarcasse?
Não me deixarias afogar no mar assombrado,
Em meio aos sons - o que não é exasperado?
Trilho-me, amor: se antes eu sério abarcasse
Teu sorriso num leito alegre, inóspito, manso,
Hoje seria Poseidon, encarando todo remanso.
***
Em meio aos escombros, te procuro:
Onde está teu sorriso farto em alegria?
Em que lugar ficou teu reino escuro?
Está perdido no céu ou pura nostalgia?
Procurei teu sorriso em meio à idade
E encontrei apenas pó de prosperidade.
Que será de mim sem tua presença?
- Sofrerei apenas choros de convalescença...
Ah, querido filho, que te vês cedo partido,
O que resta a uma mãe prestar-se ao tempo?
O que resta a um pai de abraço retido?
Velo-te em meus olhos, pior agouro lento...
Não quero que o mundo pare e se vire:
Quero que meu mundo volte e aqui fique!
***
Hoje a noite não tem luar - negro espaço
Se faz o horizonte em meio à chama.
Queria uma onda de amor fervente - laço
No qual por outros motivos o poeta ama.
O negror celestial pairou sobre as vidas
Dos pagos do centro do estado amado.
Poucos viverão sem lembrar daquelas idas
Às festas lotadas do local agora zerado.
As chamas acenderam o alerta do povo.
Ninguém viu teu sorriso escapar pelo lado?
Quem me dera teu coração fosse alado!
Agora, resta-nos o silêncio que vem novo:
Que ascendam as almas ao firmamento
E que reflitamos sobre tudo neste momento.
***
Tu, que com tais versos me conquistas,
Quisera um dia perder em minhas vistas
A força do sentimento nobre e contente,
Que insiste em te ver apenas sorridente.
Do alto ao infinito da alegria, cativaste.
Na delicadeza dos movimentos, aplacaste.
No azul de tua poesia singela, senti.
Na clarividência de teu sorriso, ouvi.
Caminhos traçados que a caneta trouxe:
Quem me dera ao menos saber tocar-te
A alma com minhas belas ideias - Parte!
Parte meu verso para que leias - findou-se:
Lá, além do infinito do teu olhar, singelas
Homenagens às palavras que me revelas.
***
"O que você gosta de fazer comigo?"
- Te pergunto rindo, num baile amigo.
"Nada" - é teu pensamento alado vil,
Que explode em consumo de emoções mil.
Temos tanto juntos e parecemos pouco...
O que sempre foi um gesto de honestidade
Agora se faz como incólume cordialidade,
Para ser apenas uma réstia do tempo louco.
Antes, teu amante e amigo, repositório
De nossos segredos e total companheirismo.
Agora, lá longe, demonstras inverso locutório:
Ganhaste asas de um momento de fanatismo
E hoje não te vejo voando pelo céu azulado
- Apenas um refúgio de mim um tanto inesperado.
***
Ah, ingratidão! Filha da maledicência
E esposa do perdão! Que dor escutar
Aquela que todo o sempre te fez amar
Dizer que és rotina com eloquência!
***
Encontro-me ainda em meio a festejos
De pessoas que terão vidas definidas
Em meio ao cerco do futuro em lampejos
De uma sensação de purezas infinitas.
Rastejo-me fadado pelos cantos ao refletir
- E se tua vez brilhante tivesse chegado agora?
Crescerias de tal forma que te faria interagir
Com todos os caminhos que precisas de fora?
Sabe, carinho, às vezes se escreve certo,
Mas as linhas não estão tão sincronizadas:
É o tempo de rever o que há nas pisadas...
Agora, não fuja, pois, dos sucessos em volta:
Servirão de imagem para teu caminho de paz,
Aquele de que tu nunca mais voltarás atrás.
***
Se estiveres pensando em mim, amada,
Espero que não seja com certo desgosto.
Nunca esqueça que meu verso é posto,
Mas meu coração é asa bem aventurada.
Nos confins de teus sentimentos, há ainda
Singular opressão, vista tuas cercanias.
O zelo com que deposito meu sentir - manias
Breves - ainda é gigante para tua finda.
Ah, tempo maldito, que me malogra espaço
- És tão forte que não me serve qualquer aço
Para despedaçar esta espera de te ter:
Loucura fingida, gentil e irrompida, és ser
De longo traço agourado, mas que impele
O desejo profundo de tocar a minha pele.
***
"Deixe o resto comigo", ela pensou,
Mas se equivocou lúcida ao perceber
Que de nada adiantaria apenas ter,
Se não soubesse o valor que pesou.
A réstia do caminho ainda é profunda,
Mas os desejos ardentes de minha alma
Privam-se das dores em meio à calma
Para ganhar os ares de costas à rotunda.
Não vejo como impossível achares tudo,
Bem como é improvável que sejamos mimo
No meio da esfera hostil que faz este limo:
Quem desafia o que existe é valoroso,
Mas que não se preste a terminar, espelunca:
Retorço cada palavra que me disse "nunca".
***
Nunca mais vi teu belo rosto triste.
Não sei mais o que sentes ou vês.
Não procuro saber mais o que lês,
Pois já me apontaste o dedo em riste.
Não devo mais ser quem sempre fui.
Mostras-me que aquilo ficou distante.
Não há mais mostras do que há ante
meus olhos - espelho que nos conflui.
Antes, me pedira tempo - agora, distância.
Eu queria um amor cortês, gentil elegância,
Para que pudesse desfrutar das horas...
Agora, não te vejo mais - sequer estouras
A magia que de antes se vibrava ao léu
As emoções de nosso belo amor pelo céu.
***
Sonho bom é aquele ao teu lado,
Em que me esmero em longo abraço,
Para depois sentir com calor o laço
De que nos unimos por termos amado.
***
Nunca te esqueça do simples fonema:
É muito fácil escarrar maledicências
Na distância que presenteia essências.
Quero ver na frente do problema.
***
Não. Eu não vou esperar.
Eu já esperei por muitas
- Morenas, loiras ou ruivas
E todas vieram me matar.
Se tu pensas que mudas,
Saiba que a essência é só.
Para que esta seja outra,
Um mundo precisa ir.
Não. Eu não vou te esperar.
Eu não quero esperar.
Tuas palavras se perderam
- Abismo profundo demais.
Se tu pensas que mudas,
Que assim seja - e eu,
Perdido em meio às trevas,
Ergo-me na escuridão.
Sei que tu fizeste errado.
Sei que tu fizeste certo.
Só não sei pra que lado
Parte agora teu coração.
***
***
Enquanto fazes gosto de me ver assombrado,
Trilho pelo caminho que outrora vi negado:
Redenção intensa, caminho das mil flores,
Encontrei em ti sentido em que não vão pudores.
***
Que aurora de boa ventura a traz?
Sinto que minha pele se levanta para ver
A bela alma que se aproxima lá atrás,
Nos distantes montes de flores a nascer.
Encho-me de carinho e torpor só para ti,
Tanto que inundo meu pensamento vago,
Tornando-se uma chama de peso raro
Como num sonho que um dia eu vi.
Eras a mais bela das princesas, meu amor,
Vinda de longe, num cavalo branco errante,
Que acertou o trajeto em passo escaldante.
Eras o meu amor, há tanto tempo um louvor,
Que hoje cura minha solidão de sentir capaz
Adiantar um tempo de que estou atrás...
***
Por que temos de dizer adeus?
É um presságio próximo, claudicante,
Ou um passo que daremos adiante?
Só sei que sou presente nos seus...
***
Não me peça que me perdoe sempre
Que eu te disser uma palavra sincera.
Somente o pó, que age como pantera,
É capaz de levar minha voz - compre!
Compra meu silêncio de batidas curtas
Que se revelam ao léu de esperanças
- Outras mil, como de costume, me furtas
Na maior inocência - gentis balanças...
O que era palavra doce agora é raio:
Estouras eloquente pelo espaço ralo
E atinges meu ouvido como de soslaio.
Era um tempo bom aquele: era matá-lo
A solução do teu problema - ele venceu.
O medo se irrompeu e invadiu o breu.
***
Neste belo conto de fadas em que te vi,
Não foste a única moça de belas madeixas
Que se fez escutar as taciturnas queixas
Que vieste cantarolando pelos ares - bem-te-vi.
Nas tuas asas fortes e arrebatadoras,
Vi que te prendias apenas ao horizonte -
Um belo arco de lonjura lá num monte
Que deita o sol em canseiras alentadoras.
A fada em que te transformaste era bela:
Só não imaginei que essa ilusão, ora aquela
História singela - se transformasse em dor:
Os belos olhos se tornaram o pior pavor;
Os singelos traços fizeram-se ora horrores
E tornou-se a bruxa de todos os meus pavores.
***
Enquanto desces ao mundo novamente,
Pairo-me no ar humilde a pensar:
Quem vem é minha amada incandescente
Ou é apenas o espectro do luar?
***
Minhas palavras se perdem em verso
Que me rendem lágrimas de teu olhar.
Se não fosse tão alto meu velho cantar,
Talvez não sentisses por perto adverso.
Nas ondas de tuas palavras, recriei o céu.
Agora, lá na tua ilha singela, levantas
As águas - ainda geladas - que espantas
Por versos não navegados, perdidos ao léu.
Segurarias minha mão se desembarcasse?
Não me deixarias afogar no mar assombrado,
Em meio aos sons - o que não é exasperado?
Trilho-me, amor: se antes eu sério abarcasse
Teu sorriso num leito alegre, inóspito, manso,
Hoje seria Poseidon, encarando todo remanso.
***
Em meio aos escombros, te procuro:
Onde está teu sorriso farto em alegria?
Em que lugar ficou teu reino escuro?
Está perdido no céu ou pura nostalgia?
Procurei teu sorriso em meio à idade
E encontrei apenas pó de prosperidade.
Que será de mim sem tua presença?
- Sofrerei apenas choros de convalescença...
Ah, querido filho, que te vês cedo partido,
O que resta a uma mãe prestar-se ao tempo?
O que resta a um pai de abraço retido?
Velo-te em meus olhos, pior agouro lento...
Não quero que o mundo pare e se vire:
Quero que meu mundo volte e aqui fique!
***
Hoje a noite não tem luar - negro espaço
Se faz o horizonte em meio à chama.
Queria uma onda de amor fervente - laço
No qual por outros motivos o poeta ama.
O negror celestial pairou sobre as vidas
Dos pagos do centro do estado amado.
Poucos viverão sem lembrar daquelas idas
Às festas lotadas do local agora zerado.
As chamas acenderam o alerta do povo.
Ninguém viu teu sorriso escapar pelo lado?
Quem me dera teu coração fosse alado!
Agora, resta-nos o silêncio que vem novo:
Que ascendam as almas ao firmamento
E que reflitamos sobre tudo neste momento.
***
Tu, que com tais versos me conquistas,
Quisera um dia perder em minhas vistas
A força do sentimento nobre e contente,
Que insiste em te ver apenas sorridente.
Do alto ao infinito da alegria, cativaste.
Na delicadeza dos movimentos, aplacaste.
No azul de tua poesia singela, senti.
Na clarividência de teu sorriso, ouvi.
Caminhos traçados que a caneta trouxe:
Quem me dera ao menos saber tocar-te
A alma com minhas belas ideias - Parte!
Parte meu verso para que leias - findou-se:
Lá, além do infinito do teu olhar, singelas
Homenagens às palavras que me revelas.
***
"O que você gosta de fazer comigo?"
- Te pergunto rindo, num baile amigo.
"Nada" - é teu pensamento alado vil,
Que explode em consumo de emoções mil.
Temos tanto juntos e parecemos pouco...
O que sempre foi um gesto de honestidade
Agora se faz como incólume cordialidade,
Para ser apenas uma réstia do tempo louco.
Antes, teu amante e amigo, repositório
De nossos segredos e total companheirismo.
Agora, lá longe, demonstras inverso locutório:
Ganhaste asas de um momento de fanatismo
E hoje não te vejo voando pelo céu azulado
- Apenas um refúgio de mim um tanto inesperado.
***
Ah, ingratidão! Filha da maledicência
E esposa do perdão! Que dor escutar
Aquela que todo o sempre te fez amar
Dizer que és rotina com eloquência!
***
Encontro-me ainda em meio a festejos
De pessoas que terão vidas definidas
Em meio ao cerco do futuro em lampejos
De uma sensação de purezas infinitas.
Rastejo-me fadado pelos cantos ao refletir
- E se tua vez brilhante tivesse chegado agora?
Crescerias de tal forma que te faria interagir
Com todos os caminhos que precisas de fora?
Sabe, carinho, às vezes se escreve certo,
Mas as linhas não estão tão sincronizadas:
É o tempo de rever o que há nas pisadas...
Agora, não fuja, pois, dos sucessos em volta:
Servirão de imagem para teu caminho de paz,
Aquele de que tu nunca mais voltarás atrás.
***
Se estiveres pensando em mim, amada,
Espero que não seja com certo desgosto.
Nunca esqueça que meu verso é posto,
Mas meu coração é asa bem aventurada.
Nos confins de teus sentimentos, há ainda
Singular opressão, vista tuas cercanias.
O zelo com que deposito meu sentir - manias
Breves - ainda é gigante para tua finda.
Ah, tempo maldito, que me malogra espaço
- És tão forte que não me serve qualquer aço
Para despedaçar esta espera de te ter:
Loucura fingida, gentil e irrompida, és ser
De longo traço agourado, mas que impele
O desejo profundo de tocar a minha pele.
***
"Deixe o resto comigo", ela pensou,
Mas se equivocou lúcida ao perceber
Que de nada adiantaria apenas ter,
Se não soubesse o valor que pesou.
A réstia do caminho ainda é profunda,
Mas os desejos ardentes de minha alma
Privam-se das dores em meio à calma
Para ganhar os ares de costas à rotunda.
Não vejo como impossível achares tudo,
Bem como é improvável que sejamos mimo
No meio da esfera hostil que faz este limo:
Quem desafia o que existe é valoroso,
Mas que não se preste a terminar, espelunca:
Retorço cada palavra que me disse "nunca".
***
Nunca mais vi teu belo rosto triste.
Não sei mais o que sentes ou vês.
Não procuro saber mais o que lês,
Pois já me apontaste o dedo em riste.
Não devo mais ser quem sempre fui.
Mostras-me que aquilo ficou distante.
Não há mais mostras do que há ante
meus olhos - espelho que nos conflui.
Antes, me pedira tempo - agora, distância.
Eu queria um amor cortês, gentil elegância,
Para que pudesse desfrutar das horas...
Agora, não te vejo mais - sequer estouras
A magia que de antes se vibrava ao léu
As emoções de nosso belo amor pelo céu.
***
Sonho bom é aquele ao teu lado,
Em que me esmero em longo abraço,
Para depois sentir com calor o laço
De que nos unimos por termos amado.
***
Nunca te esqueça do simples fonema:
É muito fácil escarrar maledicências
Na distância que presenteia essências.
Quero ver na frente do problema.
***
Não. Eu não vou esperar.
Eu já esperei por muitas
- Morenas, loiras ou ruivas
E todas vieram me matar.
Se tu pensas que mudas,
Saiba que a essência é só.
Para que esta seja outra,
Um mundo precisa ir.
Não. Eu não vou te esperar.
Eu não quero esperar.
Tuas palavras se perderam
- Abismo profundo demais.
Se tu pensas que mudas,
Que assim seja - e eu,
Perdido em meio às trevas,
Ergo-me na escuridão.
Sei que tu fizeste errado.
Sei que tu fizeste certo.
Só não sei pra que lado
Parte agora teu coração.
***
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Poemas do Facebook - VII
Mais uma leva!
***
E assim o mundo mudou: vendo-te assim,
Caindo de tua altura estelar, longo umbral,
Deixas derreter teu pilar, tal como o mal,
E deixas de empinar teu rosto, querubim.
Estás correndo pelo mundo afora, distante,
Pelo prazer da diversão ao mar errante,
Que desvia o preâmbulo de nosso amor,
Aquele que um dia juraste eterno - pavor!
De que me serve pensar em ti se nem queres?
Pra que perderei meu tempo no ar agourado?
Parece que é hora de eu desfrutar prazeres...
Que não seja assim o céu, tão pouco estrelado.
- Ainda há muita vida no infinito, sem errância,
Para que no fim eu viva apenas em constância.
***
Na raiz de nossas relações - tempo distante,
Encontram-se nos caminhos do ser andante
A distância primária entre o que desejávamos
E aquilo que com ardor sempre respeitávamos.
Não importa se o breu se faz presente hoje:
O que sempre pusemos em prática todo o tempo
Vai além das migalhas espiraladas do teu alento
E se mistura com as doces quebradas - Foge!
Foge para um mundo sem problemas e liquefaz
Todos os teus sentidos perante tua bondade:
Aqui se faz e aqui se paga pelos atos que traz.
Não espere, amor meu, que tenhamos lealdade
Num universo em que nossa raiz parece romper
Para encontrar com caminho feliz para crescer.
***
Curioso caso o que me segue:
Distanciada há tanto tempo, de repente,
Numa ponta de sorte, gentil repente,
Aparece em minha frente e se ergue.
Gentil moça dos lindos traços,
Qual a empatia dos teus laços
Que me fizeste procurar lá no infinito
A riqueza de um papo que fito?
Não esperava tal encontro, querida,
Que, de fato, me lembra outros tempos:
Conversávamos até sobre a definida ida...
Hoje, no entanto, quero ver-te em alentos,
Para que desfrutemos mais dos aos montes
Que um dia pensamos em outros horizontes.
***
"Pare de dizer 'eu sei como você se sente',
Pois como pode saber uma pessoa daquilo
Que você sente?" - um verso eloquente,
Representado num universo enfim tranquilo...
Será que eu sei como é teu humilde sentir?
Seria eu egoísta a ponto de não ter possibilidade
De imaginar outras rotinas que sejam teu porvir
Ou ainda estou estigmatizado pela maldade?
Enrubro-me por pensar que não te permito paz,
Pois o que sempre quis foi vê-la longe do rapaz
Que atordoava minha mente de fato ausente:
Que me oprima a tua tua felicidade iminente,
Para que eu possa me sentir bem outra vez
Apenas por pensar no sorriso presente em tua tez.
***
E o curso da vida segue seu rumo,
Em meio a pesadelos e sonhos duros.
No mais, recurso com ardor o aprumo
De que ficaremos fadados entre muros.
Ainda me recurso a aceitar tal curso,
Pois ainda tenho para ti o abraço de urso,
Aquele que sempre quiseste no momento
Em que via tua vida ser puro esquecimento.
Difícil entender porque a vida faz dessas
- De te levar de mim assim, falas imersas
De um rio que não se faz desaguar:
Meus lampejos sonoros são meu ar
Que ainda quer receber o torpor do amor,
Mas que não quer se ver tornado horror.
***
Já pensaste então em como seriam
Os nossos próximos dias sempre juntos?
Pensaste em como teríamos mundos
E de que forma eles se fundiriam?
No meu peito, sinto uma distância:
Não te enxergo unida a mim novamente.
Num linguajar que clama e não mente,
Peço-te que dê sinal de tua estância.
Já faz dias que não nos vemos, horas
E horas sem sequer nos falarmos - agoras
De inutilidade vil e de total temperamento:
Inútil pensar que há horas e o momento,
Pois revela-se ignóbil a dor - sequer chora
Aquele doce coração que só te implora.
***
Dor de cabeça.
Minutos de raiva.
Ironia intensa.
Gigante saraiva.
Rolará pescoço
em meio ao poço
do gentil desgosto
do ódio reposto.
Por que és assim?
Tão perto de mim...
Por que não há paz?
Nunca me traz...
Gentil discórdia
de campos irrompe
ao bendito corrompe
para a alta prosódia.
Não tenho vontade
de te dizer palavra:
enquanto bondade
meu coração lavra.
Se preferes assim,
perfeito, pra mim:
fica com tua usura.
Ficarei com a pura.
***
Há muito tempo ando pensando em ti.
Acho que o tempo vai além das idas
Aos mundos distantes e vastas saídas
Que posso recolher ao sair daqui.
Sei que aí tu não pensas em mim.
Pois quando nos vemos somos outros
Que insistem em recolher os ouros
Que em outro tempo eram assim.
Vejo que te envolves com outro alguém
E não me arrependo de nada - amém!
Outro alguém pode dar o de sempre:
Que o momento te seja longo, meu bem,
Pois fazes tua vida feita único compre,
E o fim será a solidão que se dará também.
***
Bate uma saudade gigantesca
Quando não vejo tuas mãos belas,
Mas ainda mais me dói às velas
Se não há sinal de tua boca fresca.
***
Que ventos te trazem aqui agora?
É meu amor que finalmente aparece
Ou é a ilusão que me enlouquece?
Quero que sejas minha, mundo afora.
***
Escrevo esta carta para que me vejas:
Será que ainda estou bonito? Ou novo?
Não sei se me vês como velho estorvo
Ou estás em óticas no mar que velejas.
Encontro-te em meus pensamentos curtos,
Horizonte perdido em meio à escuridão.
São planáveis, habituáveis monstros que não
Perdem ou ganham - fazem-se de surdos.
Alcançara teu momento de amor e gratidão?
Estivera à espera de simples dias de "não"?
Talvez o mar agora seja meu desassossego:
Lá longe, ondulas em belos mares distantes,
Viajando na noite como um temível morcego,
- Quisera que apenas me visses como antes.
***
Se realmente me miras em teu futuro,
O que fazes de tão belamente obscuro?
Recrias águas e vidas agora passadas
Para que refaças momentos de baladas?
Eis que me guio pela alma da luz alerta:
No espaço ao longe, prima brilha constelado,
Pois não há amor maior que o acanhado
Pela gentil formosura de uma carícia certa.
Sei que aí estás em mundos absortos, longes,
Mas num raio de pensamento se faz lerdo
O carinho que te tanto faz em mim só herdo:
Que te amo em todos os momentos lisonjes,
Que te quero em todas as ondas de lamúria,
Que te desejo em quaisquer horas de fúria.
***
Se te quero de maneira feroz,
Não me digas que resistes atroz:
Por trás de tua tez rígida e forte,
Está teu amor encontrado por sorte.
***
Deu!
***
E assim o mundo mudou: vendo-te assim,
Caindo de tua altura estelar, longo umbral,
Deixas derreter teu pilar, tal como o mal,
E deixas de empinar teu rosto, querubim.
Estás correndo pelo mundo afora, distante,
Pelo prazer da diversão ao mar errante,
Que desvia o preâmbulo de nosso amor,
Aquele que um dia juraste eterno - pavor!
De que me serve pensar em ti se nem queres?
Pra que perderei meu tempo no ar agourado?
Parece que é hora de eu desfrutar prazeres...
Que não seja assim o céu, tão pouco estrelado.
- Ainda há muita vida no infinito, sem errância,
Para que no fim eu viva apenas em constância.
***
Na raiz de nossas relações - tempo distante,
Encontram-se nos caminhos do ser andante
A distância primária entre o que desejávamos
E aquilo que com ardor sempre respeitávamos.
Não importa se o breu se faz presente hoje:
O que sempre pusemos em prática todo o tempo
Vai além das migalhas espiraladas do teu alento
E se mistura com as doces quebradas - Foge!
Foge para um mundo sem problemas e liquefaz
Todos os teus sentidos perante tua bondade:
Aqui se faz e aqui se paga pelos atos que traz.
Não espere, amor meu, que tenhamos lealdade
Num universo em que nossa raiz parece romper
Para encontrar com caminho feliz para crescer.
***
Curioso caso o que me segue:
Distanciada há tanto tempo, de repente,
Numa ponta de sorte, gentil repente,
Aparece em minha frente e se ergue.
Gentil moça dos lindos traços,
Qual a empatia dos teus laços
Que me fizeste procurar lá no infinito
A riqueza de um papo que fito?
Não esperava tal encontro, querida,
Que, de fato, me lembra outros tempos:
Conversávamos até sobre a definida ida...
Hoje, no entanto, quero ver-te em alentos,
Para que desfrutemos mais dos aos montes
Que um dia pensamos em outros horizontes.
***
"Pare de dizer 'eu sei como você se sente',
Pois como pode saber uma pessoa daquilo
Que você sente?" - um verso eloquente,
Representado num universo enfim tranquilo...
Será que eu sei como é teu humilde sentir?
Seria eu egoísta a ponto de não ter possibilidade
De imaginar outras rotinas que sejam teu porvir
Ou ainda estou estigmatizado pela maldade?
Enrubro-me por pensar que não te permito paz,
Pois o que sempre quis foi vê-la longe do rapaz
Que atordoava minha mente de fato ausente:
Que me oprima a tua tua felicidade iminente,
Para que eu possa me sentir bem outra vez
Apenas por pensar no sorriso presente em tua tez.
***
E o curso da vida segue seu rumo,
Em meio a pesadelos e sonhos duros.
No mais, recurso com ardor o aprumo
De que ficaremos fadados entre muros.
Ainda me recurso a aceitar tal curso,
Pois ainda tenho para ti o abraço de urso,
Aquele que sempre quiseste no momento
Em que via tua vida ser puro esquecimento.
Difícil entender porque a vida faz dessas
- De te levar de mim assim, falas imersas
De um rio que não se faz desaguar:
Meus lampejos sonoros são meu ar
Que ainda quer receber o torpor do amor,
Mas que não quer se ver tornado horror.
***
Já pensaste então em como seriam
Os nossos próximos dias sempre juntos?
Pensaste em como teríamos mundos
E de que forma eles se fundiriam?
No meu peito, sinto uma distância:
Não te enxergo unida a mim novamente.
Num linguajar que clama e não mente,
Peço-te que dê sinal de tua estância.
Já faz dias que não nos vemos, horas
E horas sem sequer nos falarmos - agoras
De inutilidade vil e de total temperamento:
Inútil pensar que há horas e o momento,
Pois revela-se ignóbil a dor - sequer chora
Aquele doce coração que só te implora.
***
Dor de cabeça.
Minutos de raiva.
Ironia intensa.
Gigante saraiva.
Rolará pescoço
em meio ao poço
do gentil desgosto
do ódio reposto.
Por que és assim?
Tão perto de mim...
Por que não há paz?
Nunca me traz...
Gentil discórdia
de campos irrompe
ao bendito corrompe
para a alta prosódia.
Não tenho vontade
de te dizer palavra:
enquanto bondade
meu coração lavra.
Se preferes assim,
perfeito, pra mim:
fica com tua usura.
Ficarei com a pura.
***
Há muito tempo ando pensando em ti.
Acho que o tempo vai além das idas
Aos mundos distantes e vastas saídas
Que posso recolher ao sair daqui.
Sei que aí tu não pensas em mim.
Pois quando nos vemos somos outros
Que insistem em recolher os ouros
Que em outro tempo eram assim.
Vejo que te envolves com outro alguém
E não me arrependo de nada - amém!
Outro alguém pode dar o de sempre:
Que o momento te seja longo, meu bem,
Pois fazes tua vida feita único compre,
E o fim será a solidão que se dará também.
***
Bate uma saudade gigantesca
Quando não vejo tuas mãos belas,
Mas ainda mais me dói às velas
Se não há sinal de tua boca fresca.
***
Que ventos te trazem aqui agora?
É meu amor que finalmente aparece
Ou é a ilusão que me enlouquece?
Quero que sejas minha, mundo afora.
***
Escrevo esta carta para que me vejas:
Será que ainda estou bonito? Ou novo?
Não sei se me vês como velho estorvo
Ou estás em óticas no mar que velejas.
Encontro-te em meus pensamentos curtos,
Horizonte perdido em meio à escuridão.
São planáveis, habituáveis monstros que não
Perdem ou ganham - fazem-se de surdos.
Alcançara teu momento de amor e gratidão?
Estivera à espera de simples dias de "não"?
Talvez o mar agora seja meu desassossego:
Lá longe, ondulas em belos mares distantes,
Viajando na noite como um temível morcego,
- Quisera que apenas me visses como antes.
***
Se realmente me miras em teu futuro,
O que fazes de tão belamente obscuro?
Recrias águas e vidas agora passadas
Para que refaças momentos de baladas?
Eis que me guio pela alma da luz alerta:
No espaço ao longe, prima brilha constelado,
Pois não há amor maior que o acanhado
Pela gentil formosura de uma carícia certa.
Sei que aí estás em mundos absortos, longes,
Mas num raio de pensamento se faz lerdo
O carinho que te tanto faz em mim só herdo:
Que te amo em todos os momentos lisonjes,
Que te quero em todas as ondas de lamúria,
Que te desejo em quaisquer horas de fúria.
***
Se te quero de maneira feroz,
Não me digas que resistes atroz:
Por trás de tua tez rígida e forte,
Está teu amor encontrado por sorte.
***
Deu!
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