segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Poemas do Facebook - V

Mais uma leva... :)

***

Meu caro Shakespeare, trouxeste-me
Meu desejo: representar-te à altura
Com minha companha de mor cultura
A ponto de chover em pingo uniforme.

De teus sons, Angra, surgiram a trilha
Que formarão a base desta sagaz ilha
De nossos temores - universo de Ariel
Contado por Próspero, humano fiel.

Meu querido e finado autor, encenada
Verás uma vez mais tua última peça.
Empunharemos teu cajado e não meça:

Um musical que total entoa esmerada,
Não as naus envoltas em mediocridade,
Mas todo o torpor de tua Tempestade!


***

Ressoa no meu canto a certeza
De que a nossa esperança brilha
A possibilidade, não de lerdeza,
Que um tempo nos seguirá filha.

Não adianta querermos mais agora:
Somos espécie maior que o tempo,
- Que a morte, que a vida de outrora -
Somos a espera em passatempo.

Quiséramos esperar o tempo passar,
Mas fomos dotados de sentido par
Que não mais nos fez esperar aqui.

Nosso amor brotou de feliz passagem
Todo o tempo que ainda vira aí,
Sem sequer esperar cair a folhagem.


***

Mimadas crianças
Em díspares rotundas
Jogadas ao léu
Em mazelas penumbras.

O que há no rio de engraçado?
O que há de divertido em seguir?
O que é verdade em tua vida?
O que é loucura em teu sonho?

Viveu ao mundo,
Morreu de dores.

Mimadas crianças
Em díspares rotundas
Jogadas ao léu
Em mazelas penumbras.

O que faz belo um homem triste?
O que faz triste seu cruzar de espelhos?
O que é verdade na tua alma?
O que é loucura em teu risto?

Viveu tuas dores,
Morreu em flores.

Mimadas crianças
Em díspares rotundas
Jogadas ao léu
Em mazelas penumbras.

O que é esgueirar-se ao canto?
O que é cair alvejado na rua?
O que é verdade na tua arma?
O que é loucura no teu disparo?

Viveu em meio ao sorriso.
Morreu em agonia lente.

Mimadas crianças
Em díspares rotundas
Jogadas ao léu
Em mazelas penumbras.

O que é aquilo que ela vê?
O que é um anjo ao seu pé?
O que é verdade no reino do céu?
O que é loucura na alma terrena?

Viveu em meio ao inferno.
Morreu em busca do céu.

Mimadas crianças
Em díspares rotundas
Jogadas ao léu
Em mazelas penumbras...


***

É hora de acordar, meu benzinho.
É tempo de crescer novo, ao céu.
Agora é a hora de deixar o mel
Que ascende teu viver baixinho.

Passou o tempo da brincadeira,
Bem como o tempo da ironia:
A hora é de calma e mamadeira,
Mas num mundo de dessincronia.

Era momento de parar o riso?
Ou era hora do simples crescer?
Importa agora o que vem conciso:

O tempo de hoje é um nascer
Para as crises do tempo, amor,
Que se devem vencer com ardor.


***

A caminho da tranquilidade serena,
Reforço meu espaço pertante o teu:
Desejo mais que uma ilha morena,
Mas um caminho pelo corpo ateu.

Judias de minha felicidade, roubada
Por ferozes dedos, atroz e vil destino!
Não meças esforços para o desatino,
Pois terás tudo perdido - recuperada!

Oculta aos corvos a carne que esperas,
Pois as vestes trágicas destas quimeras
Hão de confrontar um dia tua insônia:

Colabora, então, para meu belo lugar,
Que se faz fanático ao meu globo ocular,
E que não se revela intento de parcimônia.


***

Termino minhas preces com um pedido:
Que te seja quente o dia frio, perto de mim.
Que te seja belo o dia feio, conforto assim.
Que te seja eterno o fugaz - aproveito escondido.

Quero te abraçar com o maior dos carinhos,
Para ver em teu rosto o sorriso mais belo.
Não me abastece o peito belos inúteis ninhos,
Se eu não tiver comigo o que faz nosso elo.

Quero teu beijo em minha boca como outrora.
Quero teus lábios, gentil amada, frequente aqui.
Não me peças para sair sem assim, rumo por aí,
Pois quero do ar extrair os frutos sonhados agora.


***

Sei que caminho em meio às trevas.
Não sou pomba celeste ou arcanjo,
Mas sombras do passado que levas
- O mesmo que absténs teu desarranjo...

Não me busque precipitadamente ou
Não me alegues como conforto próprio:
Sou um ritmo dissoluto que o tempo levou
E, além, carrego o som do crematório.

Um anjo de asas negras como a noite
Que pende e badala sinos de agonia longa,
Libertarei as garras do sonho, pernilonga:

Viajam as palavras que pedem pernoite,
Mas que nunca seguem um rumo secular
- São meus sons que escutas há horas viajar.


***

Tenho em mim todos os sentimentos,
Tudo aquilo quanto mais sagrado é.
Revejo meus laços para gerir elementos
Que se fazem graciosos como a pé.

Pensar ou repensar a vida é bom:
Une-se o útil da reflexão pura e alegre
Ao esforço de encontrar num som
A paz que há no Porto sempre Alegre.

Anjo meu, não te culpes pelas falhas:
Aprendes pelo caminho que retocas.
Tudo há solução, que não são palhas...

Resguarda teu coração contra facas
- Teu mero sentido pode retorcer-se mal
Sem perceberes que estás triste, afinal.


***

Peguei-me pensando se tu me sentes.
Analiso o dia, horas subsequentes
De um tempo amoroso e claro tal
Que me perco nas andanças ao sol.

Pedias-me que eu fosse um ser maior,
Dotado de qualidades de mil
Guerreiros que lutam pela dor mor
De sacrificar a vida gentil.

Que andanças pelo mundo fazes já?
Que peito ainda arde de paixão lá?
Não sei se quero ser esta redoma:

Sacrifico-me dias ao teu lado
Na espera de um amor terno alado,
Mas pareço estar nu total em coma.


***

Amor, amor...
Quisera teu paraíso em tua cama
Ser o mais perfeito abraço entre nós.

Ao caminho que se faz chama,
Não quero interromper teu alento,
Amor, amor.

Amor, amor...
Grande dia se aflora pelo céu, tal sol,
E vejo-me impedido de ver-te uma vez mais.

Não me interessa que grito de dor é real,
Mas quero um desenho perfeito de nossa nau,
Amor, amor...

Amor, amor...
Um plano de fuga em minha mente para ti,
Apenas para fazê-la sorrir novamente à lua...

Quisera apenas uma vez mais estar contigo,
Sentir teu riso, abraçar teu afago, ler tua vida,
Amor, amor...


***

Observas um tigre num barco.
Enjaulado?
Solto.

Mira-o dentro dos olhos gatunos.
Livre?
Medo.

Atiça sua ira em confronto tonto.
Preso?
Sorri.

Jogas comida ao mesmo animal.
Liberdade?
Pouco.

Os olhos felinos observam-na mal.
Triste?
Nada.

Oscilas ao vento teu mastro terreno.
Alegre?
Pausa.

O tigre a observa.
Observas o tigre.

Ele avança.

Sorri.

Para sempre.


***

Valha-me o ar pensar na despedida!
Imundo percalço das rotinas felizes...
Quisera a um tempo abraçar-te na ida
Bem como negar o adeus que me dizes.

Viaja agora, minha querida, para teu rumo:
Um lugar, um estado, uma nação reencontrada.
Enquanto teu avião parte para nova andada,
Deixas aqui teu caminho, agora um sumo.

Não deixes que a memória parta ao longe
Para que não sofras como os pares deixados
Que vibram pela bela presença acalorados:

Construa teu caminho em como um monge
E busca um dia encontrar teu eu em torno,
Já que aqui aguardam teu eterno retorno.


***

Se tu me achas um bom poeta,
Mais prazer encontro eu cá.
Se me vires escrevendo "lisboeta",
Ainda terás prazer como lá?


***

Queima na alvorada ardente paixão
Que sempre ostenta no futuro clarão
Um espaço de singeleza a plena flor,
Que se faz um espaço de pouca dor.

Nosso canto é alegre - tal qual bem-te-vi.
Não digas, não negues - me queres aqui.
Espero que te orgulhes de minha vida,
Pois dou-te meu máximo - não duvida!

Escuto ressonâncias providas de ti, amor,
E quero que teu canto se esbanje de clamor:
Espaço íntimo para nossos calmos anseios:

Que sempre haja colo em teus seios,
Para que me obrigues a buscar o melhor
- O que me cativa para ser sempre maior.


***

Enigma que me prende ao teu mundo,
Dá teu sinal de resposta para mero mortal!
Espero sempre pelas tuas respostas e tal,
Mas não vejo o percurso dele tão fundo!

Não espero que me tenhas total cuidado,
Pois te referes à sombra, à chuva e ao sol.
Não quero apenas ser obviamente traçado,
Para ficar eternamente preso ao teu anzol.

Perguntas-me se devo consentir com o erro
Ou se devo apoiar tua doce loucura eterna.
És um punhal de flores serenas em enterro:

Não quero que me tentes a entrar na taverna
E beber de teu vinho acre e de ponto desumano
- O incrível erro de quem deseja só o profano.


***

Acordo.
Escuto tua voz singela ao meu lado.
Elabora doçuras, canduras de outrora.
Tempo remoto que hoje é dourado.

Levanto.
Percebo teu toque sobre meu corpo.
Iluminas minha vida como se outrora.
Tempo sereno que hoje um sopro.

Caminho.
Sinto tua presença forte, amorosa até.
Recrias meu canto como era outrora.
Tempo doce do que fomos em pé.

Observo.
Silencio em minha cama - nada haverá.
Sentias minha voz como em outrora?
Tempo amargo e terreno que apenas há.


***

Na asa esquerda de um anjo, pendia teu choro.
A queda da tristeza se fez real.
O anjo se levantou e ruflou as asas.

Na asa direito de um anjo, pendia teu sorriso.
Elevou-se ao vento, dia a dia.
O anjo se levantou em ruflou as asas.

O anjo voou pelo horizonte, pendendo-se.
Encontrou teu choro afundado no mar.
Observou teu sorriso viajando no céu.

Ah, tristeza, que maledicente presença parte!
Ah, alegria, que conforto se segue ao chegares!
O anjo apenas olha para os lados e sorri.


***

Dormita em seio quente o meu sonho...
Pare! Não quer mais ver a luz do dia!
Aqui, em meio ao que me faz risonho,
Não desiste de aparecer a bela via.

Em encantos presentes faço-me rei,
Na altura do teu sorriso, é toda rainha.
Ser feliz, como diz Chico, era minha lei,
Enquanto sois espaço sem mais ladainha.

Não me acorde de meu sonho elitista,
De um sonho belo, sem crueldade ou afim,
Pois quero ser teu rei, simples assim:

Não basta imperar leis como benfiquista,
Se eu não tiver ao meu lado teu conforto
Que se faz presente num beijo de porto.


***

Depois tem mais! :)                 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Poemas do Facebook - IV

Para não perder o costume... hehehe

***

De tempos em tempos, terras avistam mares.
Para onde quer que corra, ao céu ou ao sul,
Não encontrarás calmaria que te encares
Simplesmente por não teres caminho azul.

És de um tempo - e de outro também, querida.
Avanças em caminhos ociosos ao bem infinito
- Não respondes ainda com quem é que compito
Para chegar às tuas palavras, bela margarida.

Se caminhas para o céu, onde pensas parar?
Se vais ao fundo, para onde queres te levar?
Aqui, fico eu a me perguntar em meio ao mundo:

Que não se repita em ignorâncias vindas do fundo
Nem se repila cada palavra como simples adorno,
Afinal, tens o mundo e nele deve ter teu contorno.


***

Ah, meu amor, o doce beijo do descanso!
Quisera que outros tempos fossem brandos
Para aliviar-me em teus braços e manso
Pensar que este tempo passou aos mandos.

Foi-se o tempo do medo? O da retaliação?
Não - Eu sei que não. Ainda assim a ação
De encontrar o nosso refúgio é tal e tanta
Que não importa a condição para quem canta.

Ouvi meus versos! Eles querem te dizer algo!
Querem que saibas que não importa nada:
Apenas que teu amor cultive sempre sonhada:

A perfeição do rei, da rainha e do fidalgo,
No nosso espaço de amor, cambaleante e belo,
É sempre um total amanhecer em nosso castelo.


***

Expuseram-se os panos na longínqua noite...
De onde menos se esperava, o calor se fez!
Abriram-se alegrias em sorrisos de sensatez,
Bem como outros movimentos eram açoite!

Ah, gentil amada! Que lindo escutar tua voz!
Mal sabes o tempo que me debati em versos
Para tanto saber o que há de reais regressos
No cântico sereno de uma fala ágil e feroz!

Exalaste candura, depois das duras lágrimas
- Rios de lágrimas presentes em teu repertório.
Agora, meu amor, não precisas mais de lástimas:

Anjos despiram asas flamejantes no oratório,
Ganharam forma humana e por aqui pousaram:
Fiquei e chegaste - na forma que sempre amaram.


***

Saio agora - vou-me além!
Em breve te vejo - clamo amém.
Em uma beira estarei, assim:
Chamando-te amor, muito afim.


***

Somos uma costa de mar tempestuoso.
Enquanto formos um amor, anjo meu,
Não saberemos o que será apenas teu
Já que ainda seremos algo tortuoso.

De que importa a dúvida nesta relação?
De que servem os medos além de "não"?
Ainda há muito tempo correndo lá fora.
Não assassine o amor que te ameno roga!

Isolar-se e refletir-se talvez seja mal maior:
Tempo já passara e ainda não decidiste.
O que há de lembrar amor com tanto suor?

Não permite, anjinho, que te mal disseste:
Sois esperança sempre em terra de luar,
És mais forte que o vento e qualquer atuar.


***

São mais 24 horas.
Mais este pouco tempo de espera.
Mais este pouco espaço de miséria.

São apenas 24 horas.
Terei as respostas do meu vento.
Terei as confissões de meu amor.

São aquelas 24 horas.
Passa de sorrisos a tristezas.
Passa de injúrias a gargalhadas.

São estas as 24 horas.
As que me farão ver meu mundo.
As que me farão deslumbrar a fundo.

São só mais 24 horas.
Mais 24 horas.
24 horas.
Horas.


***

Ah, porto seguro, dos meus amores, quem diria?
Tu, um mero e destemido livro, cuja capa soletra
Apenas o desejo fiel de quem apenas o faria
Sentir-se mil vezes a flor mais bela em uma letra.

Espaços ganhas em viagens frutíferas pela mente,
O que não te impede nunca de teres frequente
Aquela tal dúvida que esmoece toda vez que falo
Que te amo abissalmente como voa o tal cavalo.

Tu, livro de todo presente, faz-se em páginas belas
O que ela mais tem de amor presente, sim, singelas
Maneiras de duvidar de algo que é o seu presente:

Que meu canto seja ouvido além-mar, eloquente,
Pois teu porto seguro é balsa que vive a balançar,
Contudo sempre firme, como meu desejo de amar.


***

Esferas em desenlace no horizonte.
Cânticos serenos de calmaria constante.
Espaço aberto para inúmeras realizações.
- Onde há caminho para vários corações.

Veja que não se interrompe o momento:
Há luz ao final de cada palavra dita ao fundo,
Pois de certezas incertas vive nosso mundo,
Acabando por ilustrar o que é dito pelo vento.

Acalmemos o coração, pois: é hora de criar.
Criar laços mais fortes, desejos mais contantes,
- É hora de sabermos o que há de transformar.

Não importa o quanto existe de implantes.
- Importa, sim, que toda e qualquer modificação
Esteja consoante com aquilo que diz o coração.


***

Fiquei a um passo de te escrever,
Mas sei que ainda devo esperar.
Isso faz de mim um insensato ser
Ou ainda devo estar aqui por amar?


***

Enquanto a chuva desce lá fora,
Aqui dentro meu coração insistente,
De tanto brigar com o que há agora,
Palpita humilde em seu querer latente.

Lágrimas do céu abençoam a terra,
Fertilizam o chão pueril do quente verão.
Ainda assim, brotam-lhe lágrimas, coração,
Que se desfazem como quem erra.

Feliz a planta que recebe a chuva dócil;
Feliz o pranto que desce a orvalhar.
Fica em transe meu coração a olhar:

Com tanta água no céu em cinzas no cio,
Não se espere que em todo dia se faria
Um feixe maior no coração que a agonia.


***

Dorme a noite sonhadora
E com ela, mil estrelas em riste:
Vês o que me deixas triste
Ou é ilusão apenas amadora?


***

Como quisera ao menos uma vez,
Vi que te sentias presa, fechada e só.
Notei que, de dentro de si, de todo pó,
Surgia tua melancolia, com maior altivez.

Sangras palavras em discursos doídos
- Me dói mais não poder te falar aos ouvidos
Que todo aprendizado provém do fazer
E que, para isso, deve-se sempre querer.

Vejo teus braços ruflarem para alçar voo
- E nao vejo só: todos a tua volta veem
Que estás a ponto de criar além do "sou":

Eu, vento que bato insone em tua redoma,
Relembro-te que falta pouco para o que sol
Derreta teu castelo, este que ainda te doma.


***

Adiante, mais!   

        

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Poemas do Facebook - III

Produção intensa... ;)

***

Uma pequena estrela brilhante
Insiste em se fazer constante
No horizonte.

Uma pequena marca leal
Que é sempre esperança total
Sempre presente.

Um espaço andado rugiu
Ao caminho que o tempo ruiu
É revisitado.

A esperança que há tempos
Se montou, a cultivos lentos
Caminha conosco.

Se esperas que a vida nos leve
Carrega comigo essa flor como a neve
Para junto de nós.


***

Amor, meu grande amor, como diria Frejat,
Estás sempre na hora marcada comigo.
Talvez dentre de sua emoções longas já
Careçam maior carinho que o próprio umbigo.

Olha para nós e acredita: somos um só.
Não adianta querermos riscos de puro pó,
Se não soubermos a troco de que paramos
De analisar todos os dias os doces amos.

Observo-te em prantos, ao longe, distante...
Quero te abraçar agora! Quero te envolver
Um pouquinho mais em meu braço um instante...

Mira, meu amor, mira nos meus olhos a ver:
Há aqui onda maior em bravo mar hostil
Que quer fazer renascer o teu sorriso primaveril.


***

Now I know
That you're here...
Same things we think
Same things we do.

But now I'll stay
That you're my angel...
Same life we begin
Same life we'll can.

Stay here, my love,
Only stay - In my jungle mind
You're safe in the guard,
Safe in my little life.

Stay here, my love,
Only stay - In my memories
You're the same angel,
But I'm more than I was.

Now I know
That you're my little angel.
Only stay - In my freedom,
You carry me on!


***

Enriquecido pelas sombras do amanhã,
Minha alma caminha, rumo ao vento.
"Nenhum de nós sabe como é um afã",
"Somos apenas um mastro sem intento".

Eu não concordaria, meu grande amor - não.
Estamos pendendo para reflexo da realidade,
Já que somos tão espessos em conformidade -
Somos muito mais, além de qualquer clarão.

Reduzir forças não é nosso objetivo agora.
Aumentar territórios talvez seja necessidade.
E é a isso que se refere um coração pra fora:

Ruma, carinho meu, pelo vento da idade,
Pois não importa o tempo antigo que se fora,
Haverá sempre caminho além da tempestade.


***

Que faz teu coração, meu bem?
Recrias um mundo de perspectivas
Ou inundas em silenciosos estrondos?

Já sabes o que sonhar enfim?
Já imaginas o que queres de mim?
Talvez o vento me diga ao longe...

Que é nosso, ninguém tira: fato.
Que é meu, ninguém se apossa: eu.
Que é teu, dentre fogos, afinal?

Não me basta um silêncio apenas.
Mil silêncios se refinariam defronte,
Mas teu sorriso insiste em destituí-lo.

Afaga-me, amor meu: chama-me!
Sei que em teu íntimo grita o sangue
Que pulsa todos os dias por um beijo.

Afasta todo mal que te surge - calminho.
Não vamos cutucá-lo assim, brusco.
Sejamos apenas tu e eu, quietinhos.
 
 
 


***

Nenhum medo.
Nenhum céu.
Nenhuma dor.
Nenhuma disfunção.
Nenhum perdão.
Nenhum carinho.
Nenhuma flor.
Nenhuma dor.
Nenhum mundo.
Nenhum querer.
Nenhuma força.
Nenhuma criança.
Nenhum pilar.
Nenhum amor.

Nenhum.

Sem amor.


***

Enquanto afogado me encontro,
Saio rasteiro em busca de minhas coisas -
Que será que restou?
Quem será que sou?
Arremedo algum destroço?

Enquanto empenhado me encontro,
Saio em busca de mim mesmo -
Quem será que fui?
Até onde eu sou?
Quem será que destroço?

Enquanto, ao longe, vejo o céu,
Saio debaixo d'água em mim apenas -
Quem está aqui?
Eu estou em si?
Quem será que faz o destroço?

Avisto o submerso. Empunho-me ao céu.
Saio debaixo das profundezas -
Quem estou em algum ponto?
Quem está aqui em respiração?
O que é esse tal destroço?

Eu quero apenas respirar.

- Quero apenas respirar.  

***

Venha! Venha comigo uma vez mais,
Desfruta do teu paraíso dentro de apenas
Uma casa de ovo - figura atroz demais
Para quem só pensou em águas amenas.

Estamos fechados e não há mais espaço.
Pega apenas o que tens de mais leve,
Pois não precisamos de nada que não serve
Como o que nos prenderá - apenas um laço!

Sinto-te rebuliçando-se na cadeira, lendo -
Gentil desejo de um coração amargo?
Ou quem sabe vontade desenfreada tendo?

Não espero mais que um espaço largo:
Neste ovo, és minha fiel escudeira e brilha
Mais intensamente que qualquer espaço na trilha.


***

Depois de tanto tempo, vejo-te novamente.
Não era o mesmo sorriso, mas eras sincera.
Havia ternura no olhar, maior que a esfera,
E em tua voz o carinho que se faz exigente.

Sonhei contigo - república de meus pensares,
Espaço em que apareces linda, em seus pares
De comoção e dúvida, amor e retaliação -
Ainda assim reflexo de como é teu coração.

Juraste-me as dúvidas resolver - impossível,
Pois sabemos que mal temos tempo a perder,
Ainda sabendo que a dúvida nunca irá ceder.

Resta-me, então, esperar a realidade crível.
Só assim terei tua voz rindo no meu ouvido,
Só assim encontrarei lindo teu coração vivido.


***

Simples retoque de cores no céu azulado:
És, meu amor, pedaço e mau espaço
Que insiste em não caber como um aço
Num coração tão simples de ser amado.

Vítima de circunstâncias casuais - tão doces,
Meu coração se esforça em entender o ventre
De onde brota tão gentil sentimento, que entre
Lugares mil, escuta tua voz, irriquieta - um lance.

De que me serve, terno sentimento único?
Para que lado te curvas, em primazia desventurada?
Só me resta saber que a ti sirvo, tresloucada:

Quisera-me silencioso, responsos de tal anestésico,
Para que me guardasses em vão num mar de desejos
E fosse descoberto por outro coração em gentis lampejos.


***

Amor é força,
Desvio de conduta,
Desvio de normas,
Quebra de paradigmas.

Amor é vento,
É tempestade,
É orgulho e intento,
Devedor de favores.

Amor é troca,
Contínuo, descomunal.
Abraço apertado,
Carinho relaxado.

Amor é fuga,
É partir em dois,
Ser um estado,
Parecer nação.

Amor é dó,
Dor, piedade, fogo;
Aumenta estima,
Diminui orgulho.

Só não é amor
Total desamor:
Montar a vida
E trocá-la por nada.


***

Por onde andas, meu amor?
Caminhas em busca de carinho?
Seria o desejo da noite um espinho
Ou encontrarias todo o meu louvor?


***

Sabe aquela estrela que brilha,
Irradia luz, provida do céu estrelado?
Não sei mais de quem está ao lado
Não sei mais se não devo ser uma ilha.

Leio tuas palavras e me torturo assim,
Vendo que pendes para dois lados,
Quando outrora não havia mais outro afim,
Ou ainda restavam apenas esforços - sim.

Aterra-me tal conteúdo e me faz pensar
Que desistir e ser único talvez te faça feliz,
Para assim, seguires sem motivo para duvidar.

Queira, amor meu, que de longe, num triz,
Sobre algum carinho de tua escolha, tempestade
Maledicente de caminhos que trazem facilidade.


***

Se tu vieres me abrir uma caixa de desejos,
Encontrarás um âmago dos mais puro querer:
Nem de perto viverás em ramos de poder,
Mas viverás tudo em inúmeros doces lampejos.

Queria maior emoção para tua vida? Toma:
Possua em seu circuito relações douradas.
Afinal, de que vale uma série de touradas
Se não me há maior segredo num sintoma?

É, meu amor, o tempo passa - o deleite também.
Fica, porém a pura amgia de qualquer relação,
Quando há amor unidos - num só coração:

Dê graças por haver sentido na tua vida - amém!
Há tanto lá fora que não conhecer nosso calor,
Pois há muita gente querendo viver de torpor.


***

Então tu acordas de um sonho fatal,
Nem longo, nem breve - descomunal,
Movimento ilícito de um velho agouro,
Mártir de provas de todo um tesouro.

Abre teus olhos! Observa o que te vê:
Líros, rosas, violetas - todas próximas
De um rosto que chamega cataclismas,
De um corpo volúvel que antevê:

Brilha em tuas mãos o corpus do mundo!
Está aí! Veja em si! Apenas entenda
Que todo mundo vê, sente - aprenda:

Perdida no sono, intenso submundo,
Ficarás em prova de um lisonjeiro sentido
Que em vida se retoca o retorno mentido.


***

Se tu pensas
Que miras
Sem chagas
As adagas
Aqui,
Não sonhas
Que miras
Em claras
Maltratá-las
Em si.

Se tu ouves
As preces
Terrestres
Não credes
Em si?
Não queres
Ou suspendes
Minhas redes
De quereres
Aqui.

Se tu amas
Às avessas
Aborreças
As chamas
Aqui,
Mas conquistas
Bem vistas
Ou absissas
Amansarias
Em si.

Se nada houver
Cheiro qualquer
De uma mulher
Será colher
Em si.
Mas um talher
No prato quer
Buscar, couber
Imenso encher
Aqui?

Se eu busco,
Muito brusco,
Claro farrusco,
Fico lusco
Aqui.
Agora custo
Torno molusco
Algo tão fusco
Vermelhusco
Em si.

Rima a poesia:
Só tu a fazia
Virar pó, azia
Na primazia
Aqui.
Restou esquadria
Do molde queria
Alguma primazia
Que teu coração ia
Em si.


***

Semelhante segurança revive meu tempo,
Enquanto brotas em dúvidas e afagos o desespero.
Não esqueça, pois, de que, tal qual canalizo vento,
Minha esperança enche de vida meu romanceiro.


***

"You're the sun of the night
You're the spark thats sets on fire
You're the shield of my life
You're my shining star"
(Primitive Chaos, do Almah)

Como o sol de todas as minhas noites,
Irradias a energia que a madrugada retira.
No auge de meus sonhos, muitos enfeites
Criados pelas mãos de quem me tira.

A faísca que incendeia meu coração
Fora acesa há muito, apenas por ti.
Caso não houvesse tanto dito "não",
O braseiro iria além, muito longe daqui.

E assim nosso amor se constituiu, meu anjo,
E um escudo ao infinito horizonte surgiu,
Como se não pudesse distanciar o que nos uniu:

Eram as estrelas, que brilhavam lá em arranjo.
Elas, que no pior momento, estiveram com o calor
Que tornaram-te, linda estrela, meu maior amor.


***

"Faça-se a luz", disse Ele, no primeiro dia.
Para que se arrastasse até a folga, o sétimo
Muito trabalho foi feito, quase aturdia,
Tal eram ordens em momento séquito.

Sete dias. Dias de ternura e tempestade,
Dias de proofundo torpor e velocidade,
Para que atinjas tua plenitude, mortal bela,
E o sentimento que te acompanha e cela.

Os pensamentos vagam em missas alongadas,
Conjunturas de córregos firmes de claras
E benditas águas - nossas fianças amadas:

Que seja triunfante teu ao arco-íris retorno,
Pois de nada vale a alguém sem alvíssaras
Transpor o horizonte com algo morno.


***

Cartas que me fizeram sorrir, sonhar
E que hoje são resquícios fatigados.
Cada palavra que falei, sem duplicar
Nada do que eram meus sentidos dados.

Trouxeste-me a inconfidência do bem,
Tal como a sereia que me canta longe.
Não podes, porém, tirar-me lisonge
Do caminho que encontrei hoje e além.

Estás feliz? Encontraste o que queria?
Não percebo maré alta com calmaria
Como em sonhos um dia quiseste.

Minha noite foi terror, como uma peste.
Meus olhos gritam por um socorro a fim
De acabar com o mal que resulta assim.


***

Deu, né? :D              

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Poemas do Facebook - II

O relógio baterá cinco horas em poucos minutos,
Mas meu canto não se desfaz pelo tempo perdido.
Há muito minha voz se declara aos prantos
A um amor que por muito se parece iludido.

Escrevo-te uma vez mais, para que saibas, amor,
Que em cada carinho escrito houve um sentido,
Pois em cada letra residiu inquieto o maior torpor
Que te buscou sempre em cada canto repelido.

Posso não ter todos os gestos do muito, amada,
Mas em cada um deles faço-te mais acalorada
Por apenas explicar cada sentimento nascido:

Não és apenas espaço do destino - mero exequido -
Que vem a cada instante vibrar todo meu carinho.
Quero nosso repouso tranquilo como um ninho.


***

Tu juras
Que dizes
Que amas
Sem pressa
Nem peças
Que eu diga
Que sim?

Tu juras
Que amas
Que dizes
Nem peças
Que dizes
Que eu diga
Que sim?

Sem pressa
Tu juras
Que dizes
Que amas
Nem peças
Que eu diga
Que sim?

Que dizes
Que amas
Tu juras
Que eu diga
Sem pressa
Nem peças
Que sim?

Que eu diga
Que amas
Sem pressa
Tu juras
Nem peças
Que dizes
Que sim?


***

Deitado inutilmente nesta câmara fria
Em que meus desejos inutilmente rasgam
E acabados em raivas se desmontam,
Um anjo desce e me vê: "Refria!"

"Tuas dores acabarão em pouco tempo",
Ele me diz, traduzindo sonoridades fonêmicas
Que, em princípio, não me passam endêmicas,
Por mais descontínuo que seja o contratempo.

Viro-me para o lado e não encontro meu sonho.
Afasto-me da parede do pensamento - nada.
Até quando ficarei nutrido pela tal amada?

"Que na tua esperança se faça teu ganho",
Diz-me o gentil anjo, asas a ruflar ao céu,
Enquanto me banho num mundo ao léu.


***

Palavras de angústia fazem-me declinar,
Ó, lua ardente! Iluminas minha noite,
Mas minha vida perde espaço pelo açoite
Pelas mais duras forças que hão de me atacar.

Tão belas eram as palavras, lua incandescente,
Quando no porvir venturoso o amor se fazia!
Que estúpidas sensações de dores se aplicaria
Ao que de tão puro e novato se fazia mais decente?

Não pude esperar em te dizer, minha triste lua,
Que não mais espero um sinal de agrura sua:
Deito em meu leito e espero o desfecho lento...

Que não seja dolorido ou francamente isento,
Pois em todas as passagens de afago no arrebol
Sempre esteve meu carinho, iluminado pelo sol.


***

Lembras das noites em que clamaste meu nome?
Lembras do desespero ao não nos falarmos?
Quem sabe ainda pensas nos mistérios que tome
Teu tempo, aprendiz inalcançável de nos arruinarmos...

Visceral e profunda dúvida que tens -
Âmago das repartições e separações precoces,
O que fazes com tão vil coração, contos aléns
- Ou rebate falso de questões pouco dóceis?

Caminhas lentamente para longe, gentil amada,
Pois te castigas por dúvida cruel, invertebrada,
Que insiste em te dizer que o curioso é novo,
Que insiste em explorar teu cérebro como um ovo.

Não há caminho ou motivo para que te esqueças
Que na maior vertigem da memória de nós dois
Um espaço para romperes esta casca desemudeças
Para, então, fazer sorrir um coração que vibra e sois.


***

Desejo a ti, meu inconfundível carinho, o melhor:
Não quero que as desavenças infames,
Que quaisquer faltas de amor como enxames,
Seja capaz de que nutramos mais que penhor.

Alguma vez nos dissemos que maior algo
- Maior que o sol, que as intempéries, que o mal -
Está por vir, que irá além de qualquer astral:
"Sois meu mundo, meu ano, meu dalgo."

Neste último dia do ano, quero-te feliz sempre.
Nas últimas voltas do ponteiro, penso em ti
- Como nunca deixou de sê-lo, dias aqui:

Não há nada como um amor que não se compre,
Que anseia teu toque num beijo amoroso enorme,
Para que o fim do ano seja como de quem dorme.


***

Quando cantas ao meu ouvido teu segredo,
Estou em cada momento apto a te entender.
Quando suspiro algum descontentamento cedo,
O que faço para que não queiras me ler?

Faço-me distante num momento, erro comum,
- Absurdo incalculável para não ter tuas palavras?
Penso que não estou sendo suficiente, nenhum
- Talvez resida o medo de ir sem olhar para trás?

Falei-te que só estaria para bons momentos
E uma lacuna de silêncio para afirmação se fez:
O que queres dizer, com ausência de tua tez?

Calo-me em meu canto, gentil silêncio de intentos:
Sou águia que voa em busca de te proteger,
Mas és um rouxinol que não me quer eleger?


***

Vês, amor meu, que em sábias palavras
Cristalizam-se os mais belos sentidos:
"Guarda cada uma delas, torne-as escravas,
Mas não permita aos desejos mal contidos."

Digo-te, como sempre, que não me venço
Por qualquer medo ou imperiosa vontade:
"Sois minha guia em tudo, neste lenço,
Naquilo que me vens com toda piedade".

Aos te distanciares, lembro-me de cada passo:
"Não as leia antes da hora certa, tá bem?"
"Bem me conheces para saber como faço:

Sigo meu coração em busca de me harém,
Nada mais que uma série de palavras belas
Que correspondem ao meu amor sem velas."


***

Encontrei uma carta - debaixo de outras doze...
Nela, falavas de um amor maravilhoso, coberto
Pelas mais belas palavras - charada de ouro e bronze
Que terei de resguardar no meu pensar esperto.

Caso eu não haja com sapiência, passos dados
Podem ser esperanças fugidias de jardins suspensos
- Ainda que flutuante, nas asas dos esperançados
Momentos em que dormiremos solenes, incensos.

Nunca recebera tal presente - com prazer enorme
Doze cartas que num ano atravessarão o mundo
Para dizer-me sobre o teu amor, algo mais forte:

Que sejamos felizes eternamente neste ano próximo,
Que a paz fecunde alegrias intensas ao fundo
De nossos corações que anseiam um futuro pródigo!


***

Em breve, mais! :)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Poemas no Facebook!

Tem gente que quer Poemas no Ônibus, Poemas no Trem... Preferi outro meio de transporte - de informações: o Facebook. Postei alguns poemas lá, os quais trago para o blog agora! :)

***

Sabe aquela hora em que tu alças um voo maior?
Tens noção daquele momento, clímax profundo,
De um pensamento como não-estar-no-mundo,
Só para lembrar que não temos uma vida menor?
Assim lembro de ti: não és meu objetivo alcançado,
Nem meu segredo de amores mais abastado -
És tão real quanto meu sonho mais brando,
Que naturalmente tomou forma de corpos queimando.

Ah, gentil mulher, que te venho acalmando o olhar,
Busco apenas encontrar o que o amor quer ditar:
Inclui-me em tuas formas delicadas e amorosas!

Só assim teremos o espaço aberto entre rosas,
Para quem sabe encontrarmos nosso Olimpo,
Depois de um voo tão alto quanto limpo.



***



Caminhando num tempo imanente e confuso,
Recebi teu gesto de carinho com doces relentos.
Agora, caminho longo, sequência de alentos,
Repassa em meu coração um universo difuso.

Sinto que te aproximas com carinho maior,
Com um imenso desenho de vicissitudes claras.
Penso, porém, que, para que saibamos de cor,
"Apenas a repetição o faria" - declaras.

Sabemos que, apesar de todos os pecados,
Nosso amor avança de modo venturoso,
Mas que não se perca os motivos delicados:

Somos fruto de espaço e tempo luminoso,
Em que vence o amor, partido em maravilhas,
E que não nos permite virarmos ilhas.



***



Encaminha teu pedido de amor ao vento
Que ele é mais forte que minha voz.
Não aguarde velocidade no lento
E muito menos rancor muito veloz.

Sou aquele que guarda no verso
Um pouco do passado indigesto
De um tempo que torna-se resto
Para as agrúrias de um amor sem gesto.

Estou aqui, esperando teu clamor!
Sinos badalam, violentas emanam
O suave pólen das pétalas - mas não!
Espere! Meu movimento é só amor...



***



Vem! Pega essa chance e agarra-a comigo!
Vem! Que o mundo nos aguarda de braços abertos!
E que o amanhã sobreviva sem qualquer inimigo
E que o mundo inteiro se eleve com nosso amor redescoberto!



***



Perdida numa trilha sem rumo,
Vi teu coração deslizando na areia.
Não me bastassem teus olhos de sereia,
Senti ainda que me falta algum aprumo.

Constelações de terra em meio ao mar,
Indulgências pagas sem ao menos resfriar,
Vejo meu corpo incandescer levemente,
Sinto minha alma navegar em mente...

Com o sentimento em riste, fito-te:
De minhas mãos, a esperança doída
De te tocar mansinho, conto-te:

Em minha alvorada, delicada saída,
Brilhas costumaz, auge da beleza,
Muda meu coração - tal singeleza.



***



Estrela da agonia,
De fato ainda estás aí?
Por que desfrutas destemores,
Se só vivemos de horrores
Que cinges do além aqui?

Não sejas tão má, triste estrela,
Pois meu canto se cansa
E meu desalinho se descobre:
Se és assim, dolorosa e mansa,
De que sou feito - puro cobre?

Estrela da agonia,
Tardarei a dormir está noite.
Ilude-me por teu calor em brasa,
Mas não permite que minha asa
Leve-me para longe - sem açoite.

És, estranha estrela,
Longínquo paradouro e mirante,
Que o mais alto e gentil errante
Não amanhecerá sem vê-lo,
Tal é amarrar as pontas deste novelo:

A minha agonia some no breu,
Mas que minha estrela brilhe além,
Pois dos erros cansei teus
E de meu amor quero amém.



***



Ah, vida! Ultrajante de destinos impiedosos,
Miras o futuro com o mais cego dos desejos:
Encontrarás em quantidades, em marejosos
Olhos um desterro para humildes lampejos.

Que a cúpula de teus deuses sobreponham-se
À humilde batalha de um pobre coração
- Dolorido, mas com desejos alinhando-se
Ao destemido futuro que reserva o clarão.

Se pisas no tempo como um resto de areia,
Talvez não haja motivo para que este fim
Tão feito possível recentemente em mim:

Observe que a realidade dita quantidades,
Mas que as melhores qualidades existem em ti,
Bem como todos os amores que reservei aqui.



***



Por que sinto que teu coração chora?
Por que escuto tuas lágrimas escorrerem?
Talvez seja o vento que por aqui passa...
Talvez seja a saudade que por aí repousa...



***



No amanhecer de um próximo verão,
Quero te encontrar como manda o figurino:
Sois minha musa - nada que me dirão
Deixará meu pensamento: és algo divino.

No meio da manhã de um dia de calor,
Porás teu biquíni, mero detalhe de beleza.
Afinal, se não o tivesses - apenas modelador,
Serias tão gloriosa quanto expondo delicadeza.

Ao entardecer, depois de um banho de mar,
Virias a mim, caminhando lentamente:
"O mar está uma delícia, venha mergulhar!"
E me puxarias com vontade, além da mente.

Na noite de brisa suave e calorosa,
Em meio ao nosso verão amoroso,
Beijar-nos-íamos com voracidade fogosa,
Não sem ao menos sentir - ano carinhoso.



***



Quando o tempo passa o amor escassa,
Meu amor, sois meu espaço de delicadeza.
"Mas não seria melhor a distância,
Espaço temporal de melhor noção e clareza?"

Digo-te, pois, que longe do mundo e do olhar,
Meu recanto se esvai em busca de um alguém inquieto.
Meu sentimento é claro, conciso, verdadeiro e longo,
Como cada dia que passei em teus braços, irriquieto.

Se tu pensas que te deixo por ficares distante,
Se pensas que deixo de te querer por palavras errantes,
Para, pensa no que teu coração irado diz:

Não há pena e desleixo no que somos ou fazemos,
Não há dor ou amargura nos braços em que nos acolhemos.
Só há ventura e felicidade - nosso mundo eterno aprendiz.



***



CASTELO DE AREIA

E aqui eu fico, em meio ao chão arenoso que me sustenta.
É possível sair vivo daqui? É real querer com gosto a salvação?
De certo, a única possibilidade de um sim vem de antemão
A um desejo inóspito e inglório de que ela me tenta.

Se me respeitas, por que tanta fuga por um carinho alheio?
Se me amas, por que nunca privilegiar uma palavra de anseio?
A morte aproxima-se, negra e d
oidivana, arrastando do seio
O genuíno desejo de uma vida feliz e sem espaço para "releio".

Deste solo pueril e triste, encaminho meu desenganado castelo:
Aumento de par em par os blocos de tortura para seu sustento
- Encaminho ao seu as minhas últimas palavras de alento:

Aqui eu fico, corroendo dores em sentidos desordenados e refeitos
Mas que doce alma quererá um dono imponente, gloriosos intentos,
Se minha base, em risco de desabar, não passa de pouco elo?



***



Então, após todo o universo desalinhado,
Um pingo fecunda uma terra infértil, ilustre desacreditada.
Os ventos abandonam as tormentas, redesenha alado
Todas as paisagens de uma terra outrora inanimada.

Num toque de amor e carinho, os dedos pendidos
Mostram muito mais do que um retorno dourado, celestial:
É um sorriso que ilumina o caminho de quem vê, abissal
Distância entre os temores que antes n
os faziam perdidos.

Cuida, querida moça, dos bens que te guardo com louvor:
Toda uma gama de sentimentos bons, felizes por te ter.
Cuida, apenas, de um que insiste em morar num canto do ser:

É aquele que grita quando se vê agredido, mas que cura;
Aquele que se alegra ao escutar qualquer "bom dia", sem usura;
Aquele que se faz puro, um puro, digno e incansável amor.



***



Recebi uma carta tua lá em março,
Em que dizia que me amavas de verdade;
Falavas das horas em que pensavas em mim,
Num minuto de transcrição da realidade.

Reminiscentes lembranças frequentes pela caneta
Dum mundo doido e decorrido a passos lentos,
Aproveitado na essência de um firmamento vil e sereno,
Descanso de um pôr-do-sol alegre e sem ventos.

Que terá acontecido com o amor, gentil lembrança?
Que terá ocorrido com a palavra, pura beleza?
Por qual dos caminhos se aventura o coração, esta ventura?

Não há mais espaço para ilusão sem caminho, longa solidão.
Assuma teu amor perante o mundo e perante as pessoas,
Para então descobrir na tua essência a nossa redenção.



***



As palavras ditas não são apenas palavras.
Tornaram-se forma, organismo, essência.
Um conceito não é mera ideia quando formado:
Agregou-se ao mundo, ganhando movimento e dor.

Se tuas palavras, tão ácidas e tripudiantes,
Podem valer-se de sentimentos para serem expostas,
Por que as minhas, que buscaram calmaria e amor,
Não teriam o direito de também ser fera?

Não acho que sumas, o que negues o que sentes
- Extremo pavor, corrosão de sentidos -
Mas acho que nisso mora perigo ainda maior:

Que tua sede de amor não morra, não suma, não ceda
Ao pavor da mente, que deveras te encolhe, mas que
No fim de tudo sempre encontra um porto seguro.



***



Em breve, mais! :)