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sábado, 4 de junho de 2011

Um último grito

E eu que nunca pensei
Que tudo aconteceria assim.
Tu saíste de la como um tufão
e todos os meus sonhos foram em vão.

De um jazigo recém criado,
Uma alma desperta em gritos de desejo:
- Peço-te a vida! - é o que diz.
Mas em momento algum se fez feliz.

Nas horas em que se criaram ritos e
Evocaram os nomes de todos os santos,
o dela não foi chamado, tampouco citado:
Era hora de crer num final tresloucado.

A alma, então, percebe que o seu grito é em vão.
Reclude novamente, descansa eternamente.
Seus desejos, contudo, estão sempre por vir,
Enquanto penso que se irás reprimir.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A nova ilha

Rodeada pelos mares distantes,
Separada da terra e do além, sem mais vivas cores:
És a ilha, viço cambaleante,
Incapaz de gerar quaisquer amores.

Perdida no meio do nada,
A ilha parece um semover dúbio:
quanto mais se eleva a fronte acabada,
menos se percebe o sentimento decúbito.

Num par de mãos dilaceradas pelo tempo,
Ninguém pode ousar tocá-la e sair atento,
Pois não mais recebe naus ou marinheiros,
Apenas o mal, o negro, o baderneiro.

A ilha afundará, sim, talvez em breve.
A ilha afundará... Quiçá bem leve.
Lentamente e aos poucos...
Num mar roto de agruras e soltos

Todos os medos de uma alma escura...